16/01/11

A menina do rio


Era uma vez uma aldeia muito bonita espalhada por montes, por onde as casas se iam distribuindo como se fossem árvores.
Esta aldeia era quase em tudo semelhante a todas as outras.
No vale havia uma várzea verdejante, contente em ter por companheiro o rio que a serpenteava, de água tão límpida e transparente que mais parecia prata, quando o sol com os seus reflexos a beijava e onde as enguias e outros peixes corriam alegremente alimentando-se de coisinhas pequenas que iam apanhando ao longo da corrente.
Nas margens do rio havia salgueiros, amieiros, choupos, loureiros e outras árvores cujo nome a menina desconhecia.
Havia ainda silvas que a cada Primavera se cobriam de flores belíssimas, de um rosa desmaiado e que faziam as delícias das abelhas e besouros.
A menina sabia, porque por ali andava sempre namorando o rio e tudo o que acontecia à sua volta, curiosa e ladina, de tal forma que lhe chamavam a menina do rio, que aquelas flores agora tão pequenas e tímidas iriam transformar-se em belas e suculentas amoras pretas lá mais para o Verão, e que fariam as suas delícias e a dos outros meninos como ela.
O amor pelo rio tinha-lhe vindo desde tenra idade, tão pequenina era que mal se sustinha em pé ainda, mas já acompanhava a mãe que ia lavar a roupa. Às vezes ia no alguidar que a mãe transportava à cabeça e ficava sentada ao abrigo da copa de uma oliveira, enquanto a mãe lavava a roupa. Mais tarde, já ela ia também ajudar, nasceu-lhe um grande amor pelo rio e suas criaturas.
O amor da menina pelo rio foi crescendo à medida que as pessoas menos importância lhe davam.
Começaram a jogar para o seu ventre as coisas mais incríveis: lixo que se ia acumulando mais e mais e que a menina via e se sentia totalmente incapaz de fazer parar.
O rio começava a ficar doente e a menina entristecia a cada dia mais e mais.
Então, a Mãe Natureza que a tudo assiste, umas vezes calada outras gritando de forma a que se faça ouvir, vendo a tristeza do rio e da menina, chorou, chorou, chorou juntando as suas lágrimas às da menina e do rio.
As lágrimas, em forma de chuva começaram a encher o rio e o lixo que lá estava acumulado e que ocupava muito espaço, não deixava a água correr.
Foi enchendo, enchendo até não caber mais e transbordou alagando a bela várzea e levando consigo as verdejantes culturas e tudo o que se atravessava à frente.
As pessoas, vendo aquilo, levavam as mãos à cabeça amaldiçoando a sua sorte.
Mas a menina do rio, disse-lhes:
Vocês é que tiveram a culpa. Não respeitaram o rio nem as suas margens, encheram-no de lixo e ele chorou. É a forma que a Mãe Natureza tem de vos dizer que devem parar e inverter o caminho.
As pessoas em silêncio e algo envergonhadas por uma menina lhes dar uma lição escutaram as palavras e prometeram que iriam limpar o rio, mal a chuva parasse.
Como todos sabemos, a Mãe Natureza escuta as palavras que vêm dos nossos corações e por isso, parou de chorar. O sol apareceu sorridente secando a água que voltou ao normal e as pessoas todas juntas limparam o rio ficando este de novo belo, com a água transparente correndo livre e cantando de pedra em pedra.
O solo ficou fértil dando de novo lugar às mais belas e verdejantes culturas.
As crianças na escola aprenderam que se deve respeitar a Natureza porque todos fazemos parte dela.


Nota: Escrevi esta pequena história para oferecer aos "Ursinhos Carinhosos" que desenvolvem um trabalho em parceria com uma escola de Portugal,sobre um dos nossos rios.
Com um beijinho carinhoso.

A foto é da net.

14 comentários:

AC disse...

tb,
Uma história muito pedagógica, óptima para ser explorada nas escolas.

Beijo :)

Lolzinhah disse...

Nossa amei.
Bem tocante,vc escreve super bem.
Andei meio sumida mas tô de volta na vida de blogueira ativa e claro comentando sempre aqui a partir de agora.
Bjooz.
Visite sempre e comente à vontade:
http://marcadorfluorescente.blogspot.com

Rui disse...

Uma história "bem real" que traduz a forma de pensar ecológica da sua autora.
Uma história "bem actual" que alerta para o desleixe com que o "serzinho" Homem trata a sua Mãe natureza.
Uma história feita de palavras "grandes", escrita por uma... "grande" Mulher!

Nilson Barcelli disse...

Vou repetir-me: devias escrever mais histórias destas e publicar com desenhos apropriados.
Arranja alguém que te ilustre as histórias e apresenta o projecto a uma editora idónea.
Esta história, por exemplo, devia ser de leitura obrigatória nas escolas.
És mesmo excelente neste registo. E não estou a exagerar...
Querida amiga, boa semana.
Beijos.

© Piedade Araújo Sol disse...

um texto muito bom além de ser pedagógico.

interessante.

beij

Mar Arável disse...

Belo e terno

Um caminho a caminhar

Graça Pires disse...

Uma história lindíssima e ecológica. Queria ser essa menina...
Um beijo.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Têbêamiga

Que bem escreves! E, como eu adoro escrever, vivi, vivo e viverei de escrever, delicio-me com o que encontro bem escrito. Muitos parabéns.

Estória pedagógica lhe chama o nosso bom Amigo ÁCê. E ecológica. E terna; mas, sobretudo uma estória para recordar e guardar na nossa memória e no nosso coração.

Feliz a malta para quem a produziste, porque, como dizem os meus netos, é bué da fixe. Senão, vejamos:
As crianças na escola aprenderam que se deve respeitar a Natureza porque todos fazemos parte dela. Excelente.

Espero-te na Minha Travessa. E não é um pedido; é uma ORDEM!!!!! hahahaha

Com comentários e (per)seguição. Só...

Qjs = queijinhos = beijinhos

Rui disse...

precisamos todos que sejam felizes para sempre

Rosario disse...

Bem imaginada. Bem real. Linda e terna.
Beijo

Francisco Sobreira disse...

Uma bela fábula, querida Teresa. A consciência ecológica da menina faz-nos ter esperança de que aqueles, que serão os homens e mulheres do amanhã, tornem a natureza livre da predação a que ela hoje é submetida. Um beijo.

Parapeito disse...

Gostei do conto :)
"A menina do rio"..lembrou me alguém...
brisas doces para ti*

Eme disse...

a claridade que sai das crianças..

beijos T

Anónimo disse...

"________________....Como todos sabemos, a Mãe Natureza escuta as palavras que vêm dos nossos corações e por isso, parou de chorar. O sol apareceu sorridente secando a água que voltou ao normal e as pessoas todas juntas limparam o rio fica...ndo este de novo belo, com a água transparente correndo livre e cantando de pedra em pedra.
O solo ficou fértil dando de novo lugar às mais belas e verdejantes culturas.
As crianças na escola aprenderam que se deve respeitar a Natureza porque todos fazemos parte dela."

Teresa Bonito.

em nome da certeza de saber transportar a humanidade.