27/02/11

Amor


A morte vestiu-se de barco em corpo de água...
Tinha asas e voava, alegre e feliz percorrendo o céu, namorando o mar, banhando-se nas suas ondas em alegres gritos de prazer sempre que recolhia no seu bico o alimento da vida, dádiva que agradecia.
Apreciava durante os seus voos tantos olhares de quem sonhava como ela, voar livre amando  o mar.
Tinha asas e voava, mas... como todos os seres vivos que habitam este planeta, sabia da sua finitude e que chegaria o seu ponto de partida. O dia em que sobre as suas asas sopraria um vento leve e frio derrubando-as na areia que lhes seria manto e mortalha.
Tinha vivido cada momento e quando se diluísse iria ser parte desse mar que tanto amara em vida, por isso partia feliz de onde e para onde sempre pertencera...


foto de Z. a quem agradeço

9 comentários:

Rui disse...

"O dia em que sobre as suas asas sopraria um vento leve e frio..."
É o que de mais certo temos, da Vida".
Mas esse dia não é hoje.
Esse dia será num amanhã tão distante quanto a força de viver possa impelir.
Um texto belo.
Mas triste...
Que a Vida te sorria, sempre.
Com o prazer de lhe namorares a "finitude" dos caminhos de cada um.

© Piedade Araújo Sol disse...

T.

conseguiste escrever com uma leveza enorme um dos teus melhores textos.
a acompanhar uma foto belissima.

parabéns.

beij

Et disse...

Embora a temática expresse tristeza, é um texto de grandiosa sensibilidade e inspiração poética.

Beijos

Anónimo disse...

O amor tem asas e voa, não é bom nem é mau, é difícil...
Obrigado pela foto.
Z.

Sandra disse...

Voou para o seu destino: (a)mar

Nilson Barcelli disse...

É assim a vida...
Gostei do texto, é muito bom. Prosa de boa poética.
Beijos, querida amiga.

Mar Arável disse...

A vida

é um vagaroso instante

Graça Pires disse...

Da vida efémera...
Um beijo, amiga.

Nilson Barcelli disse...

Querida amiga, bom resto de Domingo e boa semana.
Beijos.