13/02/16

Moldando...



Há muito que Luís tentava dizer à moçoila o  sentimento que por ela nutria.
Começara há muitos anos, ainda no banco da escola primária, onde era sua parceira de carteira.
Aspirava aquele cheirinho e levava com o cacho de cabelos loiros, que fazia lembrar uma cascata de água cristalina brincando entre as pedras, cada vez que ela virava a cabeça olhando-o com aquele par de olhos escuros e brilhantes como a noite de luar. À noite sonhava com ela. Primeiro, sonhos infantis, serenos e puros, mas à medida que os anos iam passando, a natureza falava mais alto e os sonhos também.
Nunca mais o seu cheiro, a cascata e aquele par de olhos desapareceram da sua memória, bem pelo contrário. Quanto mais os anos passavam mais se impunham.
Ela parecia um pouco alheia a este sentimento, no entanto, certo dia tomou coragem e tentou deitar o barro à parede, a ver se colava.
Não colou.
Então pegou no barro e tornou-se um oleiro famoso...


Texto escrito para mais uma tertúlia do Et Quoi, cujo tema era barro.
Foto minha, da minha primeira peça em barro.

6 comentários:

Cláudio B. Carlos disse...

Oi!
Muito bom. Beijos.

Eduardo Aleixo disse...

Estória com sonhos de amor 💏 que as mãos da oleira esculpe no barro à sua maneira.
Gostei.

Parapeito disse...

que história de desamor mais bonita :)
Fez o Luis muito bem...nada melhor para esquecer um amor, do que outro amor.
Abraço minha ne *
brisas doces ***

antonia teles disse...

E o amor cedeu a sua energia para trabalhos artísticos. Rico e sábio aproveitamento.

Graça Pires disse...

Tão bela a história!
Um beijo.

heretico disse...

frágil o barro de que somos feitos...

excelente.

beijo