21/10/10

brisa da maré...


Ainda a manhã esfregava os olhos sonolenta, a menina levantou-se percorreu, em passos decididos, os poucos metros que a separavam da janela abrindo-a, de par em par.
Este era o gesto diário que talvez mais prazer lhe dava.
O sol, preparando-se para enfrentar um novo dia entrava pela janela, enchendo de brilho uma nesga do chão, como que envergonhado de entrar, vindo beijar os seus pés.
Mas aquela não era uma manhã como as outras, pensou, mal abriu a janela.
A manhã acordara tristonha e o sol não sorria nem lhe veio beijar os pés. Debruçou-se perscrutando o horizonte à procura do acontecimento que provocara tal manifestação de tristeza ao sol e à manhã.
O seu amigo verdilhão que costumava cantar na janela, não cantou, o pintassilgo que saltitando na nespereira chilreava, estava calado. Havia um silêncio invulgar naquela manhã em toda a natureza...
Olhando para o manto azul imenso que se estendia à sua frente, reparou que faltava lá a figura.
Aquela presença tão constante destacando-se em contra-luz na linha do horizonte, entre o céu e o mar, sempre em movimentos nervosos e inquietos que lhe fazia lembrar uma pena, em revolteio levada pela dança do vento, talvez asa esvoaçante, talvez anjo vindo do céu para nos alegrar o olhar, faltava.
Naquela manhã, não lhe poderia acenar como habitualmente, ainda que ele de costas, não visse o aceno.
- Que teria acontecido, interrogou-se a menina, falando com os seus amigos pássaros?
- Deve ter ido na asa de alguma gaivota, responderam os amigos.
- Esperemos então que volte depressa, com a brisa da maré, respondeu a menina, pois se assim não for o azul escurecerá, o sol criará pétalas de esmeraldas nos seus olhos, que taparão o brilho do olhar, a areia nunca mais vai ser doirada, e vocês amigos, não tornarão a cantar.
Voltará na brisa da maré?...



foto: da net.



2 comentários:

Z disse...

Voltará a brisa, voltará porque há mais marés do que marinheiros.

beijos pelo ar...
Z

Parapeito disse...

Se acreditarem muito....
Brisas doces para ti*****