12/10/18

Segredos

Encontrei o coração da árvore que aguardava em segredo, o momento certo de se revelar!...

14/07/18

Julho


- Meus filhos têm de aprender a voar – dizia a mãe extremosa a seus filhos de tenra idade. Temos muito que andar assim que o Outono chegar, neste país que nos abriga. A caminhada é longa e só o treino e a força nas asas nos salvam da exaustão.
Não sei o que se passa este ano, continuava a mãe andorinha, escutada com toda a atenção pelo seu companheiro de vida e respetivos filhotes. O sol não quer acordar, o frio e vento não nos querem deixar, a chuva parece andar muito saudosa e por isso não nos larga. Estou muito preocupada se isto continua. Já estamos no mês a que os humanos chamam Julho e Verão, porque os ouvi conversar. Até duvidei por momentos se não me teria enganado no calendário. Sei que já devíamos andar a treinar voos, pois Setembro chega que é um instante. Por isso, toca a aproveitar o pouco tempo de sol e sequinho para fazer exercícios acrobáticos. Temos muito caminho pela frente até que cheguemos de novo ao país que nos acolhe quando aqui é Inverno. Somos pássaros anunciadores de bom tempo, não de invernias. Hoje vocês não o sabem, mas vão aprender conforme forem crescendo.
Os pequenotes abeiraram-se no ninho, espreitaram, mediram a altura, sacudiram as asas e esvoaçaram, sempre seguidos pelo olhar atento dos pais. Um a um saltou sentindo que o céu se abria fugindo-lhe o pé, as asas e o fôlego, mas de repente, que maravilha, as asas em conjunto com as suas frágeis patinhas mantinham-nos no ar em voo. Os pais incitavam-nos dando-lhes instruções e formas de voar daquele modo que só as andorinhas sabem. Podia ouvir-se aquele piar que mais parece guincho alegre enchendo o ar e lá iam treinando golpes de asa.
Não sei se as andorinhas sabem as estações e consequentes meses do ano, mas sei que elas voltam a cada Primavera, a este país a que chamam Portugal.
É uma alegria vê-las chegar pois anunciam que a invernia fria e chuvosa terminou e a Natureza se prepara para rebentar em flores, folhas e verdes de tonalidade diferentes que despontam por todo o lado e abre a porta ao Verão, tempo quente e dias grandes, onde o sol e calor se fazem presença diária animando crianças e adultos e convidando aos prazeres da praia ou do campo, com os piqueniques à beira dos rios, onde bandos de crianças, chapinhando na água preenchem o espaço aéreo de chilreios como se fossem pássaros.
Todos os anos esta espécie de ritual se repete e todos os Julhos são Verões, menos neste.

Texto escrito para a tertúlia Et Quoi, cujo tema era Julho.

15/06/18

Resiliência

Resistir é uma forma de inteligência, diz a pequena florinha e eu com ela...

05/04/18

Sou...

Sou
disforme e depois?

Foram os anos que por mim passaram,
mãos humanas que me queimaram
virando as costas indiferentes
à forma como me desfolharam...
Sou
um tronco à espera
ainda que só na despedida
abençoada Primavera
faça o milagre tão desejado
espalhe nas minhas veias,
gota a gota a seiva amada
que de novo se transforme em vida...

26/03/18

Primaveril

Abrindo vagarosamente para receber o orvalho servido em cálice, do mais puro cristal!...

06/02/18

brincando

- Tenho tanta comichão no queixo - diz a nuvem à árvore mais alta.
Então a árvore, amiga das nuvens e das alturas subiu, subiu, subiu estendeu o ramo mais alto e coçou o queixo da nuvem... :)

30/01/18

Brisas

Suavemente o vento
vai escrevendo pautas
na superfície das águas.
A tela, um lago, as árvores pincéis
onde o meu olhar se prende
e os sentidos se inebriam!...

21/12/17

Boas Festas!

Celebremos a vida,
única dádiva a que podemos chamar nossa, pois que tudo o resto é apenas a ilusão de o ser...
Luz, paz, amor e harmonia nos corações são os meus votos, para este natal.
A todos Boas Festas e um braçado de abraços cheios de carinho.

10/12/17

Frenesim


A chuva, mais do que esperada era um desejo instalado na maioria das pessoas, de tal modo que até faziam rezas e empenhavam a palavra de padres, bispos, arcebispos e, desconfio que até do papa, todos reunidos em oração pedindo aos céus que mandassem bastante chuva para lavar as marcas dos desatinos do Verão, queimadas que se transformaram em verdadeiros fornos crematórios. No entanto o céu não deixou cair mais do que meia dúzia de gotas, envergonhadas.
Mas eis Dezembro chegado, e com ele o Natal.
Depressa foram esquecidas as rezas, os incêndios, a falta de chuva.
Acudindo de forma vertiginosa ao chamamento do deus consumo, o povo corre apressado, enchendo carros e mais carros, é comprar antes que esgote, as prendas, o bacalhau, as promoções que destas apenas tem o nome, sem olhar a preço nem a gastos… e depois logo se há-de ver. Seja o que Deus quiser.
Só que a Natureza também tem os seus caprichos. Como se esperasse que todos se esquecessem e apanhando-os distraídos, de um momento para o outro o céu fechou-se, o vento de brisa leve e fresca passou rapidamente a rajadas fortes. Alertas amarelos, vermelhos, mensagens para as embarcações, fecho de pontes, portos, a TV nos seus canais sensacionalistas, a debitarem avisos de arrepiar e todos, a recolherem ao aconchego e abrigo de suas casas, os que as tinham… estava instaurado o pânico.
A chuva, como quem a despeja a potes, começou a cair de forma tão intensa formando cortinas de bátegas que não deixavam ver nada, dia e noite, noite e dia, de tal forma que agora as rezas eram para que aquela massa de água inclemente cessasse.
Mas não parou. Encheu rios e fontes, barragens e represas, rebentou diques mais fracos, entupiu sargetas que tinham ficado esquecidas, inundou estradas, caminhos de ferro e veredas, encheu as casas, arrastando à sua frente tudo o que encontrava. Durante sete dias e sete noites o céu despejou.
Passado este período, o sol acordou radioso e belo, quente e sorridente banhando tudo com os seus raios de luz.
As pessoas começaram a sair e cada uma, da forma que podia, verificou quem ainda estava vivo.

escrito para  tertúlia do Et Quoi- escrita criativa, sob o tema: para ver quem ainda está vivo.

28/11/17

09/08/17

Beijo

A delicadeza da borboleta e o abrir da flor, uma maravilhosa e constante prova de amor

03/08/17

Sentir

Para que tenhamos dias frescos e cantantes, ervas escrevem sons na sombra das águas...

19/06/17

Requiem




Por todos os esquecidos, seres alados, rastejantes, animais e vegetais, nunca, ou raramente referidos, quando destruidos pela incúria, indiferença, ou simplesmente ganância, dos humanos. Assim, com letra pequena, porque pequenos são os que não sabem conviver, estimar, cuidar, de todos os Seres que com eles partilham o espaço e lhes servem de alimento, equilíbrio, respirar!...

18/06/17

Homenagem...

Homenagem,
em grito calado, porque todas as palavras estão a mais!...
Até quando?!

08/03/17

Dias...

Em memória daquelas queimadas vivas, apenas por defenderem os seus direitos mais elementares,
Em memória de todas as que ao longo da história foram amordaçadas, violentadas, caladas, esquecidas ou assassinadas.
Em memória das que ainda hoje, continuam a ser consideradas lixo, ou inferiores,
sejamos capazes de construir um mundo Novo a sério onde Mulheres e Homens sejam Pessoas Iguais, caminhando no mesmo sentido!...
Bom dia a todas as Mulheres do Mundo Inteiro e aos Homens de boa vontade, também!

13/02/17

voos...

Pela chuva se deixou cativar,
mas virá uma brisa suave e leve
sussurrar-lhe ao ouvido
que a fará então voar!...

16/01/17

Olhares...

Era uma vez umas florinhas que gostavam muito de viajar de barco. Saltaram da margem e lá foram à aventura...