...Como se foramos um só contemplando o sol brincando por entre o silêncio da água...
Um miminho singelo para quem hoje é menino de novo... :)
A foto é minha.
04/06/12
19/05/12
25/04/12
Direito ao sonho
Nunca
entregues os sonhos que são teus, a outros
para que, a cada pétala que murche,
outra renasça
e se cumpra para sempre
a liberdade prometida e devida.
Ainda que a calem, espezinhem e clamem
que sonhar é de loucos.
Não abandones os teus sonhos,
Nunca!
(foto que tirei da net)
entregues os sonhos que são teus, a outros
para que, a cada pétala que murche,
outra renasça
e se cumpra para sempre
a liberdade prometida e devida.
Ainda que a calem, espezinhem e clamem
que sonhar é de loucos.
Não abandones os teus sonhos,
Nunca!
(foto que tirei da net)
05/04/12
Promessa
Em cada Abril floresce
desabrochando o rosa água,
numa promessa tão certa
que até a nuvem invejosa
vem espreitar
como se testemunha muda
do provir,
e dos frutos suculentos provar...
Foto minha.
19/01/12
Filigrana
Quando o olhar desfia os desafios e colhe os fios, filigrana dos dias, em tons de prata...
Foto de JR a quem dedico esta linha, pelo seu dia especial, grata sempre!
06/01/12
Pior que morte...
A morte veio de supetão
sem avisar.
pior do que morte
calada, fria, calculista
abrindo uma cratera
onde antes havia um coração.
talvez um dia
saibas morte,
o tanto que estragaste;
sendo já talvez, tarde
ao quereres entrar
tentando remendar
porque as linhas com que te coses
são débeis de sustentar...
sem avisar.
pior do que morte
calada, fria, calculista
abrindo uma cratera
onde antes havia um coração.
talvez um dia
saibas morte,
o tanto que estragaste;
sendo já talvez, tarde
ao quereres entrar
tentando remendar
porque as linhas com que te coses
são débeis de sustentar...
imagem: Dino Valls
31/12/11
Findou o ano. os raminhos secaram. os rios encheram, assim como os corações que amam.
Aí está um novo Ano, trazendo o verde aos ramos, o sol que brilhará nas águas e nos corações, como as estrelas no céu...
Para todos os meus amigos, daqui ou de outros "aquis" desejo um excelente reabrir da esperança.
Feliz 2012!
Um beijo enorme.
10/12/11
02/12/11
Viagem
viajei aos confins dos segredos
deste pó secular
viagem longa, dolorosa
mas cujo final
vale a pena
para ver o sol brilhar...
24/11/11
simplicidade
Que mais posso eu desejar na vida que manter as minhas cabras saudáveis e felizes, menina? - perguntou o pastor quando as árvores coavam a luz do sol tornando-as em tons de sépia.
olhei-o. Sorrimos os dois continuando o caminhar...
olhei-o. Sorrimos os dois continuando o caminhar...
12/10/11
Faz de conta...
Ali estava ela.
Perdia-se no tempo dos tempos a sua idade, mas ela ali estava serena, olhando tranquilamente o que à sua volta se passava. Tinha sobrevivido a ventos e calmarias, ouvira dia a dia o rugir da água precipitando-se parede abaixo, assim como o suave e doce gotejar em longos estios, onde outrora jorrando furiosa, ficava agora um pequeno e débil fio, quase não conseguindo molhar as ervas a seus pés, no pequeno lago.
Gostava de observar os passaritos que alegremente vinham pousar nos ramos mais altos das árvores, suas vizinhas enchendo o ar de chilreios e cantos diversos e as pessoas que saciavam o corpo cansado na calmaria das águas frescas do lago, indiferentes à sua presença.
Para os humanos, ela era apenas uma espécie de cadeira ali à mão, onde se podiam sentar, ou um simples cabide onde podiam pendurar as roupas enquanto se banhavam no lago.
O que eles não sabiam, porque lhes faltava sensibilidade para isso, talvez (pensava a pedra) era que ela não era uma pedra vulgar.
Sobressaindo destes humanos havia um, que gostava de ficar ali sentado a seus pés falando com ela.
Já tinham tido longas conversas e tecido algumas teorias sobre o comportamento humano e o porquê das coisas.
Naquele dia, já o Verão se despedia e a água caía mais lenta, em sossego convidando à conversa, apareceu, desceu as escadas e sentou-se a seu lado mansamente, como era seu apanágio começando a falar.
- Olá pedra, chamo-te pedra, mas um dia destes, ainda te vou dar um nome diferente disse, como se falasse mais para si que para ela. Tenho andado a pensar nas manifestações que se fazem um pouco por todo o mundo e que aparentemente nada mudam. Parece até que elas são permitidas para isso mesmo, não surtirem qualquer efeito. O povo explode, faz uma festa, a polícia acorre, bate a torto e a direito, e depois tudo cessa e tudo continua na mesma, em alguns casos talvez pior.
Basta ver o que se passa neste nosso tão belo, mas tão mal amado Portugal. O povo veio à rua e olha o que deu - passos perdidos com ar de achados, cenas carnavalescas diárias, um jogo de esconde-esconde onde afinal não se esconde nada, as portas passaram a ter honras de estado e ficam em bicos de pés para parecerem maiores, e por aí fora que não te quero cansar com estes meus pensamentos. Estou apenas à espera que as janelas tenham as mesmas honras e se abram por onde saiam os pássaros livremente.
- Olha amiga, sabes o que te digo? As manifestações são como os rios em tempos de enxurrada. Soltam-se as águas em alvoroço até que a chuva pare e o rio volte ao seu nível mais baixo ficando em alguns casos um pequeno regato.
Observa o que se passa nas barragens, (que os humanos tanto gostam de construir usando o desenvolvimento como mote) esquecendo quanto sacrificam a natureza.
Quando chove muito, quando o caudal engrossa tanto que ficam em risco os alicerces da barragem abrem-se as comportas, por onde jorram as águas em fúria sacrificando a albufeira, mas sabendo que os alicerces ficam intactos.
Assim é com as manifestações.
Calaram-se ambos, humano e pedra ficando cada um entregue aos seus pensamentos.
Entretanto, o sol tinha declinado e uma capa de penumbra ia cobrindo o local. Era o sinal para se despedirem até outro momento...
Perdia-se no tempo dos tempos a sua idade, mas ela ali estava serena, olhando tranquilamente o que à sua volta se passava. Tinha sobrevivido a ventos e calmarias, ouvira dia a dia o rugir da água precipitando-se parede abaixo, assim como o suave e doce gotejar em longos estios, onde outrora jorrando furiosa, ficava agora um pequeno e débil fio, quase não conseguindo molhar as ervas a seus pés, no pequeno lago.
Gostava de observar os passaritos que alegremente vinham pousar nos ramos mais altos das árvores, suas vizinhas enchendo o ar de chilreios e cantos diversos e as pessoas que saciavam o corpo cansado na calmaria das águas frescas do lago, indiferentes à sua presença.
Para os humanos, ela era apenas uma espécie de cadeira ali à mão, onde se podiam sentar, ou um simples cabide onde podiam pendurar as roupas enquanto se banhavam no lago.
O que eles não sabiam, porque lhes faltava sensibilidade para isso, talvez (pensava a pedra) era que ela não era uma pedra vulgar.
Sobressaindo destes humanos havia um, que gostava de ficar ali sentado a seus pés falando com ela.
Já tinham tido longas conversas e tecido algumas teorias sobre o comportamento humano e o porquê das coisas.
Naquele dia, já o Verão se despedia e a água caía mais lenta, em sossego convidando à conversa, apareceu, desceu as escadas e sentou-se a seu lado mansamente, como era seu apanágio começando a falar.
- Olá pedra, chamo-te pedra, mas um dia destes, ainda te vou dar um nome diferente disse, como se falasse mais para si que para ela. Tenho andado a pensar nas manifestações que se fazem um pouco por todo o mundo e que aparentemente nada mudam. Parece até que elas são permitidas para isso mesmo, não surtirem qualquer efeito. O povo explode, faz uma festa, a polícia acorre, bate a torto e a direito, e depois tudo cessa e tudo continua na mesma, em alguns casos talvez pior.
Basta ver o que se passa neste nosso tão belo, mas tão mal amado Portugal. O povo veio à rua e olha o que deu - passos perdidos com ar de achados, cenas carnavalescas diárias, um jogo de esconde-esconde onde afinal não se esconde nada, as portas passaram a ter honras de estado e ficam em bicos de pés para parecerem maiores, e por aí fora que não te quero cansar com estes meus pensamentos. Estou apenas à espera que as janelas tenham as mesmas honras e se abram por onde saiam os pássaros livremente.
- Olha amiga, sabes o que te digo? As manifestações são como os rios em tempos de enxurrada. Soltam-se as águas em alvoroço até que a chuva pare e o rio volte ao seu nível mais baixo ficando em alguns casos um pequeno regato.
Observa o que se passa nas barragens, (que os humanos tanto gostam de construir usando o desenvolvimento como mote) esquecendo quanto sacrificam a natureza.
Quando chove muito, quando o caudal engrossa tanto que ficam em risco os alicerces da barragem abrem-se as comportas, por onde jorram as águas em fúria sacrificando a albufeira, mas sabendo que os alicerces ficam intactos.
Assim é com as manifestações.
Calaram-se ambos, humano e pedra ficando cada um entregue aos seus pensamentos.
Entretanto, o sol tinha declinado e uma capa de penumbra ia cobrindo o local. Era o sinal para se despedirem até outro momento...
28/09/11
Parabéns!
10/08/11
Asas
Era um dia igual a tantos outros.
A mãe preparava a refeição para saciar a família enquanto o petiz por ali cirandava entre a cozinha e o quarto brincando alegremente.
Da cozinha podia ouvi-lo em animados diálogos com os seus amigos imaginários, presença sempre constante na vida familiar.
De repente, algo desviou a atenção da mãe. Um piar aflitivo vindo do pequeno quintal anexo à cozinha.
Limpou as mãos e foi ver a que se devia tão aflitivo chamamento.
Um pequeno pardal, que mal sabia ainda usar as asas, esvoaçava pelo pequeno tufo de cactos de folha larga tentando a todo o custo equilibrar-se e lançando aqueles pios lancinantes chamando pelos pais que deveriam andar por perto.
Aos gritos acudiu também o menino e vendo o pequeno pardal disse de imediato:
- Mãe vamos arranjar uma gaiola e ficamos com ele sim?
A mãe encarou-o muito séria e disse-lhe:
- Gostavas que te fechassem numa gaiola? Vamos arranjar-lhe uma caixinha com lã como se fosse um ninho, vamos alimentá-lo, dar-lhe água e deixá-lo livre. Os pais devem andar perto. Vão ajudá-lo a fortalecer as asas e ensiná-lo a voar.
Quando chegar a hora e ele estiver preparado irá, voando com o resto da sua família e ganhando os céus, livre!
- Ó mãe mas assim ficamos sem ele, disse a criança fazendo uma carinha triste.
- Não perdemos o que nunca foi nosso, meu filho. Nosso é apenas o que fizermos pela vida fora. Não te esqueças disso. Um dia, também tu ganharás asas e voarás como o passarinho.
- Ganho asas? –perguntou o menino substituindo o ar entristecido por um ar muito admirado.
- Sim, ganhas. Um dia vais ter um lindo par de asas, e vais usá-las para realizar os teus sonhos e voares, livre como os pássaros, saindo do ninho.
Nos dias que se seguiram mãe e filho divertiram-se a alimentar o pequeno pardal que passava os dias nas folhas do cacto e na mão da mãe do menino, onde ficava muito quietinho olhando o céu, e à noite dormia no ninho improvisado.
Certo dia, observaram outros pardais, com aspecto adulto, virem alimentar o pequeno pardal fazendo pequenos voos até ao cimo do muro do quintal incentivando-o a voar.
- Um dia destes o passarinho vai embora, filho – disse a mãe preparando a criança para o inevitável.
- Eu sei mãe. Não faz mal. Já me explicaste que ele tem asas para as usar e voar livre, que um dia também eu terei as minhas. Irei e serei como ele. Quem sabe ainda nos encontramos, não é? Mas tenho medo que fiques triste.
A mãe sorriu levemente dizendo que a obrigação dos pais é ajudar a que os filhos criem asas e as saibam usar. Nessa altura é chegada a hora de largar o ninho e treinar os voos. A mãe não ficava triste.
Como já era esperado o passarinho começou a ganhar confiança, trepou primeiro apenas até ao primeiro ramo da nespereira e caiu. No segundo dia, ganhou um pouco mais de céu. Assim continuou sempre incentivado pelos adultos, até que conseguiu ganhar asas e voar até ao lado de lá do limoeiro onde os outros o aguardavam, felizes e saltitantes.
Mãe e filho ficaram a vê-lo desaparecer por entre os ramos, ervas secas e altas, sabendo que já seria capaz de ganhar os ares e voar livre, vencendo o medo.
Mãe e filho ficaram a vê-lo desaparecer por entre os ramos, ervas secas e altas, sabendo que já seria capaz de ganhar os ares e voar livre, vencendo o medo.
Nessa noite, o menino sonhou que lhe tinha nascido um lindo par de asas…
17/07/11
Sede
Quando a tua música
Toca no meu coração
Sento-me em silêncio
ouvindo-a apenas
e aos trinados dos passarinhos,
os zumbidos das abelhas,
o coaxar das rãs,
o ondular da água na cascata
sons que se lhe vêm juntar
à música que o meu coração escuta…
cascata cantando de pedra em pedra
beijando o meu corpo
que se lhe oferece sequioso
matando a sede.
03/07/11
in.viver
Talvez não saibas que passaste pela vida desaproveitando
Um Olhar
admirar
Um pôr -de-sol
Um sorriso em rosto amigo
Querido
O desabrochar do botão
O re.nascer do dia
uma manhã radiosa
o cheiro da terra molhada
e do vento ciciando nas canas
como quem sussurra segredos
e hoje…
em que os dias
trazem no seu seio contagem decrescente
os medos…
será porque finalmente sabes?...
14/06/11
Avesso dos dias
Ainda que o avesso dos dias seja uma constante
Nesta caminhada em passo célere
Há sempre uma esperança
Na folha que se espraia
Espelha
espalha
Lentamente
Delicada
E colorida
No espelho de água
verde...
Até que os passos sejam de regresso.
A foto tirei ali num local de Lisboa.
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