Vamos brincar ao jogo das sombras, ao faz de conta?
Hoje em que dizem ser o nosso dia, crianças. Seja isso o que for.
Valha o que valer, num mundo onde as crianças desmaiam com falta de nutrição, ficam presas entre 4 paredes porque lhes roubam a rua para brincar,
trabalham como adulto, mas sem remuneração, são vexadas, violadas nos
seus mais elementares direitos, maltratadas, mas...
vamos brincar ao faz de conta, neste dia que dizem ser o nosso, criança?
01/06/15
08/05/15
Da felicidade...
Minha cama, pétalas de malva,
meu teto, imenso céu
minha música, canto de rouxinol
minha pele, beijo de sol
fecho os olhos e...
sou feliz!
Sejam bem vindos, gente boa!
meu teto, imenso céu
minha música, canto de rouxinol
minha pele, beijo de sol
fecho os olhos e...
sou feliz!
Sejam bem vindos, gente boa!
23/04/15
11/04/15
ai os olhos...
Filipe não era um homem bonito. Com feições muito
corretas, tinha um certo charme e porte digno, que lhe granjeava o olhar e
atenção das mulheres e até de outros homens.
Vivia
sozinho, trabalhava na área das vendas, o que lhe dava liberdade de ação,
independência financeira, e permitia contatar com muita gente, uma vez que se
deslocava por todo o país. Possuía um humor fino e sorriso fácil, o que o
tornava imediatamente simpático e empático.
A
sua casa, um primeiro andar de um prédio, situado num bonito e arejado local,
com pracetas ajardinadas, permitia-lhe desfrutar de uma paisagem agradável, nos
momentos de merecido descanso, em que se estendia no sofá, na varanda
envidraçada, admirando a paisagem ao seu redor.
Certo
dia, os seus olhos detiveram-se numa linda figura feminina na janela do prédio
em frente do seu. Levou uma espécie de choque. Como nunca tinha reparado nela?
Na sua beleza suave, nas linhas perfeitas do rosto e pescoço e no reflexo dos
cabelos, aos quais o sol dava mais brilho?
Sempre
que tinha um momento de repouso lá corria ele a casa para admirar a bela
mulher. Mas nem sempre ela estava, o que o deixava ansioso.
O
tempo correu e ele cada vez sentindo-se mais atraído por aquela figura, dando-se
conta de um sentimento estranho e algo indefenido ainda, a nascer-lhe no peito.
Quem seria ela? Como seria o seu nome? O que faria? Porque estaria sempre tão
sossegada à janela, olhando a rua com ar tão sereno mas ao mesmo tempo tão
melancólico? Teria alguma doença grave,
algum desgosto de amor? Tinha de descobrir.
Estas
e outras perguntas acudiam-lhe à mente, martelando-a constantemente, assim que
a tinha mais desocupada.
Tinha
de descobrir, iria lá apresentando-se como o vizinho e oferecendo os seus
préstimos, mas... o que pensaria ela? Aceitaria de bom grado? Tanto pensou que
não podendo mais conter o impulso, saiu, dirigiu-se ao prédio, tocou a
campainha e esperou com o coração aos saltos no peito e na garganta.
Passados
poucos minutos abriu-se a porta e uma mulher jovem, bonita, simpática, mas não
a da janela, veio abrir a porta.
-
Boa tarde, o que deseja?
-
Boa tarde, sou o Filipe, o vizinho da frente e costumo ver a senhora à janela.
Resolvi vir até cá oferecer os meus préstimos. É sempre bom conhecer e
socializar com os vizinhos.
-
Muito obrigada, respondeu a moça com um amplo sorriso. Faça o favor de entrar.
O
coração dele não parava de bater, na ansiedade de conhecer a mulher da janela.
Já
dentro de casa, a moça disse:
-
Sou a Joana e sou modista. Trabalho em casa e faço fatos especialmente para lojas
de alta costura, para senhora.
Enquanto
falava iam-se encaminhando para uma ampla sala, muito bem mobilada, mas que se
via ser de trabalho. Havia vários manequins vestidos com os fatos em prova,
máquinas de costura e mesas de corte, enfim tudo o que servia para uma modista
de alta costura trabalhar.
De
repente o coração deu-lhe um salto. Lá ao canto da janela defronte à sua
varanda, lá estava estática e queda, bela e serena, a sua mulher da janela,
vestida com uma roupa de prova...história escrita para a Tertúlia "Et Quoi", cujo tema era a mentira.
20/03/15
13/03/15
À água
Hoje te canto água,
da fonte, rio, regato ou mar,
porque levas e lavas as mágoas,
das gentes que te sabem cantar...
da fonte, rio, regato ou mar,
porque levas e lavas as mágoas,
das gentes que te sabem cantar...
26/02/15
Sabedoria das árvores
Tranquila,
com a sabedoria que o tempo traz,
acreditando que um dia será explosão de verde, onde os pássaros repousam as penas e as asas cansadas dos voos...
com a sabedoria que o tempo traz,
acreditando que um dia será explosão de verde, onde os pássaros repousam as penas e as asas cansadas dos voos...
26/01/15
Novidades
Era uma vez um bando de galinhas, cada uma
mais curiosa e gulosa do que a outra.
Certo dia, apanharam a porta da capoeira
aberta e zás, lançaram-se aos canteiros das novidades, papando-as todas...
Escrita para a Tertúlia, ET QUOI, cujo tema era: A Novidade.
Foto da net.
Escrita para a Tertúlia, ET QUOI, cujo tema era: A Novidade.
Foto da net.
16/01/15
Prova de amor
Borboleta,
porque pousas na flor
com tamanha delicadeza,
tão ao de leve
como se fosses
apenas brisa?
Porque ela me trata com amor
dando todo o seu interior
para meu próprio alimento...
porque pousas na flor
com tamanha delicadeza,
tão ao de leve
como se fosses
apenas brisa?
Porque ela me trata com amor
dando todo o seu interior
para meu próprio alimento...
20/12/14
Conto de Natal 2014
As
suas lembranças resumiam-se aquele pequeno espaço que podia vislumbrar por
entre as grades da gaiola onde sempre vivera.
Todas as manhãs, o seu dono lhe trazia alguns pedacinhos de comida, água e limpava o espaço interior.
Ela, a quem chamavam Rita, era uma ave que tinha nascido para voar livremente pelos céus, com outras, suas iguais, mas tal não tinha acontecido, pois que desde a mais tenra infância a prenderam naquela gaiola de onde, por mais esforço que fizesse, não conseguia sair.
No início ainda se debatera fortemente, atirando-se contra as grades, a porta e aquelas pequenas ranhuras que suportavam a água, mas depressa reconheceu que apenas conseguia ficar magoada e entregou-se ao cativeiro.
Passava o dia à espera que viesse a água, a comida e, em dias mais felizes, alguém para falar com ela.
A sua cauda, que deveria ter penas lindas e brilhantes, não cresceu devido ao ínfimo espaço da gaiola, não lhe permitindo desenvolver membros fortes, nem cauda comprida, como as suas iguais.
Os pardais, melros e outras aves vinham saltitantes debicar-lhe nas grades perguntando-lhe quando se libertava ela daquela jaula.
Mas ela, encolhia as asas respondendo:
- Tenho casa, quem me trate, água e comida à disposição porque hei-de ir à aventura, sem saber o que me irá acontecer? Trocar o certo pelo incerto, e quem sabe ainda acabar morta aí nalgum buraco sombrio.
- Mas, diziam as outras – tens a liberdade de voar por onde queres, encontrar um companheiro e construir o teu ninho e a tua própria família. Experimentar ser empurrada pelo vento, lavar a plumagem com as gotas imaculadas da chuva, brincar no ar como se cada minuto fosse o último da tua vida.
Mas nada, a nossa Rita ficava muito quieta e calada, talvez a meditar sobre tudo o que as outras aves diziam.
Certo dia, veio pousar, na beira do parapeito onde se encontrava a gaiola, uma linda ave, igual à Rita, com uma maravilhosa cauda feita de penas tão pretas e brilhantes, que ao sol mais pareciam pedras preciosas com reflexos de azul.
- Quem és tu, perguntou a Rita surpresa.
- Sou uma pega rabuda, como tu, mas sou um macho – respondeu a linda ave.
- Tens uma cauda tão bela. Quem me dera ter uma assim também, disse a Rita.
- Podes ter, respondeu o macho. Para isso basta que te libertes desse cativeiro e venhas comigo cruzando os ares e vivendo na Natureza.
A Rita ficou muito calada pensando em como seria bom ir com ele. Passado uns minutos disse:
- Até
gostava de experimentar ir contigo, mas como faço para sair daqui? A porta está
sempre fechada.Todas as manhãs, o seu dono lhe trazia alguns pedacinhos de comida, água e limpava o espaço interior.
Ela, a quem chamavam Rita, era uma ave que tinha nascido para voar livremente pelos céus, com outras, suas iguais, mas tal não tinha acontecido, pois que desde a mais tenra infância a prenderam naquela gaiola de onde, por mais esforço que fizesse, não conseguia sair.
No início ainda se debatera fortemente, atirando-se contra as grades, a porta e aquelas pequenas ranhuras que suportavam a água, mas depressa reconheceu que apenas conseguia ficar magoada e entregou-se ao cativeiro.
Passava o dia à espera que viesse a água, a comida e, em dias mais felizes, alguém para falar com ela.
A sua cauda, que deveria ter penas lindas e brilhantes, não cresceu devido ao ínfimo espaço da gaiola, não lhe permitindo desenvolver membros fortes, nem cauda comprida, como as suas iguais.
Os pardais, melros e outras aves vinham saltitantes debicar-lhe nas grades perguntando-lhe quando se libertava ela daquela jaula.
Mas ela, encolhia as asas respondendo:
- Tenho casa, quem me trate, água e comida à disposição porque hei-de ir à aventura, sem saber o que me irá acontecer? Trocar o certo pelo incerto, e quem sabe ainda acabar morta aí nalgum buraco sombrio.
- Mas, diziam as outras – tens a liberdade de voar por onde queres, encontrar um companheiro e construir o teu ninho e a tua própria família. Experimentar ser empurrada pelo vento, lavar a plumagem com as gotas imaculadas da chuva, brincar no ar como se cada minuto fosse o último da tua vida.
Mas nada, a nossa Rita ficava muito quieta e calada, talvez a meditar sobre tudo o que as outras aves diziam.
Certo dia, veio pousar, na beira do parapeito onde se encontrava a gaiola, uma linda ave, igual à Rita, com uma maravilhosa cauda feita de penas tão pretas e brilhantes, que ao sol mais pareciam pedras preciosas com reflexos de azul.
- Quem és tu, perguntou a Rita surpresa.
- Sou uma pega rabuda, como tu, mas sou um macho – respondeu a linda ave.
- Tens uma cauda tão bela. Quem me dera ter uma assim também, disse a Rita.
- Podes ter, respondeu o macho. Para isso basta que te libertes desse cativeiro e venhas comigo cruzando os ares e vivendo na Natureza.
A Rita ficou muito calada pensando em como seria bom ir com ele. Passado uns minutos disse:
- Queres mesmo sair? Então deixa comigo, disse o macho, enquanto com o bico forte e duro fazia os possíveis para conseguir abrir a porta da gaiola.
Ao fim de alguma insistência lá conseguiu, libertando a Rita, que habituada a estar presa tanto tempo, tinha as asas fracas e não sabia como voar.
- Não te preocupes, disse o macho, enquanto lhe segurava com desvelo e carinho, as asas ajudando-a a voar.
Ao fim de uns instantes, a Rita abriu as asas, apanhou impulso e... maravilha, conseguiu voar.
Ao princípio ainda com alguma dificuldade, mas à medida que voava crescia mais e mais a confiança e lá partiram os dois rumo a novas descobertas e aventuras.
Passaram alguns dias e as penas da cauda da Rita, que devido ao seu cativeiro não puderam crescer, começaram lentamente a despontar até que um dia, surpresa, alegria e satisfação, aquela ave maravilhosa que ganhara a sua liberdade renascia, por fim, vencendo o vento, encarando o sol, e os céus, com uma cauda maravilhosamente resplandecente.
Foto da net.
18/11/14
28/10/14
Entardecer
Entardecia no meu olhar, o dia,
calava-se ao longe o piar de várias vozes
o silêncio tomava conta dos sentidos
o ar exalava lentamente o odor morno da maresia
a brisa beijava ao de leve os elegantes caniços.
calava-se ao longe o piar de várias vozes
o silêncio tomava conta dos sentidos
o ar exalava lentamente o odor morno da maresia
a brisa beijava ao de leve os elegantes caniços.
16/10/14
Tempos...
... e nas voltas do tempo que não pára, as correntes vão-nos arrastando,
quem sabe, inexoravelmente para o abismo...
É tempo de mudarmos a estação!
quem sabe, inexoravelmente para o abismo...
É tempo de mudarmos a estação!
03/09/14
Setembro
Chegou Setembro,
que corre com o vento,
solta a aragem,
tranquila, branda, amiga
como colo de mãe...
que corre com o vento,
solta a aragem,
tranquila, branda, amiga
como colo de mãe...
13/08/14
Amor
Corre-lhe nas veias o amor à Natureza,
por isso nasce, cresce, floresce para ela
e por ela morre, fertilizando o solo
quando o beija...
por isso nasce, cresce, floresce para ela
e por ela morre, fertilizando o solo
quando o beija...
07/08/14
Amoras
Chegou o tempo das amoras,
Começam a espreitar provocantes,
nos píncaros dos ramos das silvas,
esticando seus gomos suculentos e negros de maduros
tentando esconder dos mais incautos, os seus picos...
Começam a espreitar provocantes,
nos píncaros dos ramos das silvas,
esticando seus gomos suculentos e negros de maduros
tentando esconder dos mais incautos, os seus picos...
25/07/14
Solfejos
Sei de um país
onde um maestro rege
há muitos anos
com batuta falsa
e compassos desacertados
para o público,
mas os membros da orquestra
Afinados
seguem-lhe todos os solfejos.
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