Não, não deixes que te esmaguem
Que façam de ti seu chão,
levanta a cabeça
ainda que a queiram colada ao
alcatrão!
02/10/13
21/09/13
Aos amigos
Sabes?
adoro-te assim, tal como és,
quando entras, mesmo que pé ante pé,
calado e quedo
pisando o chão que nos é comum.
entra e sente-te em casa,
é para ti esta imagem que deixo
assim como
o meu beijo
nela gravado
sentes?
adoro-te assim, tal como és,
quando entras, mesmo que pé ante pé,
calado e quedo
pisando o chão que nos é comum.
entra e sente-te em casa,
é para ti esta imagem que deixo
assim como
o meu beijo
nela gravado
sentes?
05/09/13
27/08/13
Afetos
Os afetos são como as plantas. Cultivam-se com carinho regam-se com respeito e eles florescem, crescem e criam raízes profundas. Alguns, outros morrem, como as plantas. Mas nunca deixam de marcar a sua presença em nós.
Como folhinhas de um mesmo ramo percorremos os dias da vida, umas vezes rindo, outras chorando, mas sempre juntos.
Como folhinhas de um mesmo ramo percorremos os dias da vida, umas vezes rindo, outras chorando, mas sempre juntos.
15/08/13
30/06/13
Entrega
Deixo a água beijar meu corpo nu,
o sol doirar meu cabelo antigo,
a sombra matizar meu rosto
as folhas adornar meus braços
entrego-me inteira
a ti Natureza...
28/06/13
26/06/13
Águas turvas
Querem-nos
fazer caminhar em águas cada dia mais turvas... está nas nossas mãos,
vontade, determinação, inteligência e querer, delas escapar...
17/06/13
Chuva
Hoje o dia vai orvalhando as ervinhas e regando as "novidades" poupando corpo e nascentes à labuta da rega...
10/05/13
indiferenças
Não é linda a flor da malva?
Ali está simplesmente.
Tantos os passantes indiferentes
não vendo que a sua simplicidade
encobre algo que lhes pode, quantas vezes,
salvar a vida...
Ali está simplesmente.
Tantos os passantes indiferentes
não vendo que a sua simplicidade
encobre algo que lhes pode, quantas vezes,
salvar a vida...
22/04/13
27/03/13
Doces dias...
Para todos, os católicos e os não católicos, desejo um tempo de paz, amizade e fraternidade.
Deixo umas amêndoas para adoçar os dias.
Boa Páscoa!
Beijinhos e abraços.
Deixo umas amêndoas para adoçar os dias.
Boa Páscoa!
Beijinhos e abraços.
17/03/13
Sede
Quando a tua músicaToca no meu coração
Sento-me em silêncio
ouvindo-a apenas
e aos trinados dos passarinhos,
os zumbidos das abelhas,
o coaxar das rãs,
o ondular da água na cascata
sons que se lhe vêm juntar
à música que o meu coração escuta…
cascata cantando de pedra em pedra
beijando o meu corpo
que se lhe oferece sequioso
matando a sede.
Foto minha
24/02/13
A viagem
A história que vos vou contar passou-se num
tempo, em que animais, humanos e toda a natureza viviam em comunhão, harmonia e
liberdade.
Todos partilhavam o espaço comum, procuravam
conhecer-se melhor e ajudar-se mutuamente.
Hoje, vou falar-vos de uma cria de loba e de uma borboleta que, parecendo dois seres tão diferentes podem, se quiserem, encontrar pontos comuns para uma verdadeira amizade.
Hoje, vou falar-vos de uma cria de loba e de uma borboleta que, parecendo dois seres tão diferentes podem, se quiserem, encontrar pontos comuns para uma verdadeira amizade.
As crias, como todos sabem, são curiosas e
aventureiras, sempre prontas a partir à descoberta.
Certo dia, quando já queria lutar pela sua
independência, a cria afastou-se e foi andando, andando até se encontrar
totalmente perdida.
Desorientada, olhou para um lado e para outro, a ver se conseguia descortinar o caminho de volta, ao aconchego da toca e da sua família.
De repente, levantou a cabeça e mesmo por cima dela, passou um ser leve e delicado, com o corpo coberto de várias risquinhas coloridas que se abriam sobre as suas costas, como se fora um leque e que ela não conhecia.
Parou para ver melhor aquele ser extraordinário, e admirado perguntou:
Desorientada, olhou para um lado e para outro, a ver se conseguia descortinar o caminho de volta, ao aconchego da toca e da sua família.
De repente, levantou a cabeça e mesmo por cima dela, passou um ser leve e delicado, com o corpo coberto de várias risquinhas coloridas que se abriam sobre as suas costas, como se fora um leque e que ela não conhecia.
Parou para ver melhor aquele ser extraordinário, e admirado perguntou:
- Quem és e como te chamas?
- Eu sou uma borboleta e chamo-me borboleta,
respondeu o serzinho.
- O que é isso que se abre sobre as tuas
costas e para que serve? – perguntou de novo o lobinho.
- São asas e servem para voar – respondeu a
borboleta, pousando graciosamente nas costas do lobinho.
- Nunca tinha visto ninguém igual a ti. Porque
não tenho eu umas asas assim? perguntou de novo.
- És um lobinho. Os lobinhos não têm asas e
não voam.
- O que é voar?
- É poder andar pelo ar em vez de pelo chão, percorrer as flores, aspirar o seu néctar e, poder por exemplo, subir para as tuas costas sem cair nem te magoar.
- O que é voar?
- É poder andar pelo ar em vez de pelo chão, percorrer as flores, aspirar o seu néctar e, poder por exemplo, subir para as tuas costas sem cair nem te magoar.
Esta explicação aumentou ainda mais a
curiosidade do lobinho que repetiu admirado:
- Podes voar de flor em flor, conhecer outras
terras, aquelas de que os velhos lobos da alcateia falam?
- Claro que sim – respondeu a borboleta.
Lobinho e borboleta fizeram um pequeno silêncio que foi quebrado por ele.
Lobinho e borboleta fizeram um pequeno silêncio que foi quebrado por ele.
- Borboleta, vou chamar-te fluflu daqui em
diante. Queres ser minha amiga? Vais mostrar-me os mundos que conheces?
- Gosto muito desse nome que inventaste para
mim lobinho, a ti vou chamar-te simplesmente lobinho. Gosto do nome. Sim vamos
ser amigos. Eu mostro-te o mundo que conheço e tu, o que conheces.
- Mas há um problema, disse o lobinho. Não
tenho umas asas como tu e por isso não posso voar. Apenas posso correr
montanhas e vales contigo nas minhas costas.
- Tu ainda não sabes, mas não sou uma borboleta qualquer. Posso perfeitamente dar-te asas para quando precisares voar. Mas fica um segredo só nosso.
- Tu ainda não sabes, mas não sou uma borboleta qualquer. Posso perfeitamente dar-te asas para quando precisares voar. Mas fica um segredo só nosso.
- O lobinho ficou tão perplexo e ao mesmo
tempo tão feliz que apenas foi capaz de articular um sumido: está bem!
Depois disto, por ali se quedaram conversando,
conversando cada um dizendo ao outro o que conhecia do mundo.
Já tinha anoitecido e o lobinho deu-se conta de que não podia ficar ali sozinho. Disse à sua nova amiga que queria voltar para casa, mas que se tinha perdido e não sabia o caminho.
Já tinha anoitecido e o lobinho deu-se conta de que não podia ficar ali sozinho. Disse à sua nova amiga que queria voltar para casa, mas que se tinha perdido e não sabia o caminho.
- Não te preocupes, sossegou-o a borboleta. Levas-me
nas tuas costas e ensino-te o caminho para casa, queres?
- Claro
que sim. Fazes isso? Sabes o caminho para a minha toca?
- Sei. Vamos!
Chegados a casa, a mãe já ralada com a demora
do lobinho, quando os viu chegar abraçou muito o filhote e, depois das
apresentações, agradeceu à borboleta.
Mãe esta é a minha amiga fluflu. Posso brincar sempre com ela?
Mãe esta é a minha amiga fluflu. Posso brincar sempre com ela?
- Claro que podes, meu filho, respondeu
sorrindo a mãe.
Nesse dia começaram uma viagem, que ambos queriam e esperavam, não ter fim...
Foto da net alterada por mão amiga
Conto lido na Tertúlia do Grupo Et Quoi de Aveiro, em 24-2-2013
Nesse dia começaram uma viagem, que ambos queriam e esperavam, não ter fim...
Foto da net alterada por mão amiga
Conto lido na Tertúlia do Grupo Et Quoi de Aveiro, em 24-2-2013
27/01/13
Conflito
A sua cabeça era um reboliço.
O Natal aproximava-se a passos largos e ainda não tinha comprado as prendas.
O Natal aproximava-se a passos largos e ainda não tinha comprado as prendas.
- Não me posso esquecer de ninguém - pensava a
toda a hora.
Queria concentrar-se nas tarefas diárias e não
conseguia, com aquele mundo de pessoas a formarem lista na sua cabeça.
_ Não me posso esquecer de ninguém, repetia pegando numa caneta, desdobrando
uma folha de papel onde se podia ver uma espécie de lista, à qual acrescentava
mais um nome.
A lista ia crescendo num rol interminável.
O que hei-de comprar? Onde comprar? Está tudo tão caro! Este conflito interno criado entre o preço das coisas e a lista interminável roía-lhe as entranhas.
Todos os anos, se repetia esta preocupação como se de um ritual se tratasse.
Procurou a sua amiga e confidente para tentar receber algum conforto. Mas ela deu–lhe nas orelhas porque era contra este ritual das prendas. Marca de um consumismo imposto pelos grandes interesses económicos.
O que hei-de comprar? Onde comprar? Está tudo tão caro! Este conflito interno criado entre o preço das coisas e a lista interminável roía-lhe as entranhas.
Todos os anos, se repetia esta preocupação como se de um ritual se tratasse.
Procurou a sua amiga e confidente para tentar receber algum conforto. Mas ela deu–lhe nas orelhas porque era contra este ritual das prendas. Marca de um consumismo imposto pelos grandes interesses económicos.
Mas eu não quero que digam mal de mim – pensava ela com os seus botões. O que
iria dizer toda a gente se ela aparecesse sem prendas?
Marcou o dia de folga para se dedicar às compras. O Natal sem prendas não era
Natal. Ainda que fosse apenas algo sem valor nem utilidade, o que era importante
era dar uma prenda, cumprindo a tradição.
No dia de folga lá foi toda excitada entregando-se de corpo e alma ao consumismo...
À saída, com um carro enorme cheio de pequenos embrulhos, tropeçou em mais mil como ela, cheios de pressa e nervoso para cumprirem o ritual...
No dia de folga lá foi toda excitada entregando-se de corpo e alma ao consumismo...
À saída, com um carro enorme cheio de pequenos embrulhos, tropeçou em mais mil como ela, cheios de pressa e nervoso para cumprirem o ritual...
Mudou rapidamente as compras do carrinho para o porta-bagagens do seu carro,
arrancando do estacionamento de supetão, obcecada com o dinheiro que tinha
gasto, completamente passada com toda aquela gente que a tinha obrigado a filas
e filas.
Tão embrenhada ia, que não viu o sinal vermelho.
De repente, sem saber de onde vinha, ouviu um estrondo, viu um clarão e o mundo
apagou –se.Pequenos e coloridos embrulhos ficaram espalhados pelo chão...
Imagem da Net
16/01/13
Momento de Ternura
A rãzinha ficou muito descansada na minha mão, talvez por ser um momento de ternura,
numa quente tarde de Verão.
numa quente tarde de Verão.
18/12/12
21/11/12
Narcisismo
Amo-te muito, dizia a cada dia que passava, completamente enlevado.
Quando o espelho se partiu entrou em depressão profunda...
Quando o espelho se partiu entrou em depressão profunda...
28/10/12
Sonho
Era uma vez um vale muito árido, onde as pedras faziam as vezes das ervas.
Este vale era ladeado por altos penhascos secos.
Já fora outrora um vale verdejante, com um rio caudaloso, de águas tão límpidas que as pedrinhas do seu fundo, se viam brilhando ao sol, roubando-lhe imensos reflexos.
Nesse tempo, as crianças deleitavam-se chapinhando na água e brincando nas suas margens.
Mas toda essa magia tinha desaparecido, por incúria dos adultos que não respeitaram aquele bem precioso que lhes fora oferecido.
Usaram pesticidas e outros produtos, com que poluíram os lençóis freáticos, replantaram as encostas com árvores que contaminaram e secaram a água, usaram e abusaram dela ao lavar carros, regar relvas e relvados de jardins e campos de golfe.
Tanto fizeram que lentamente as fontes se transformaram num fio de água, e algumas secaram. O rio que se estendia pelo vale foi diminuindo o seu caudal, até se transformar num ribeiro, depois num riacho, desaparecendo totalmente.
Aquele vale verdejante tornou-se seco e árido, e dele apenas havia conhecimento pelos anciãos que, sentados à volta da lareira ao serão, nas noites longas de Inverno, contavam às crianças que os escutavam avidamente, como se de uma história de encantar se tratasse.
Hoje, todos lamentam o que fizeram e desejam poder inverter o tempo e voltar atrás.
A água que possuem para sobreviver é a que aprenderam a reter da chuva abundante no Inverno. Recolhem-na sem desperdiçar uma única gota e assim podem beber e ainda regar, no tempo do Estio, os produtos hortícolas.
Estudaram formas novas de reaproveitar a água. Não usam água limpa para a descarga do autoclismo, os jardins não têm relva, mas lindos e criativos desenhos feitos com pedrinhas, os campos de golfe desapareceram, as crianças desde tenra idade com os pais, e mais tarde com os professores aprendem o valor da água e o seu aproveitamento.
Elas que, como todos sabemos acreditam em magia, ouvindo os anciãos e as suas histórias sobre o vale encantado de antigamente, o que mais desejavam era voltarem a ter aquele rio maravilhoso que tão bom devia ser.
Enquanto brincavam, falavam muito sobre o que poderiam fazer para terem o rio de volta.
Um dia, enquanto ouviam, uma vez mais a história, perguntaram o que eram os lençóis freáticos e onde viviam.
Os anciãos, com aquela paciência e saber de quem já fez todas as perguntas ao mundo, sorrindo pela pergunta das crianças, explicaram que eram gotinhas de água que se juntavam dando as mãos e que viviam por debaixo dos nossos pés.
As crianças nessa noite nem dormiram de tanta excitação. Talvez se pedissem muito, as gotinhas de água voltassem e formassem o tão desejado rio, ou apenas um ribeiro.
Quando a manhã chegou foram para o centro do vale, deram as mãos e rodando, rodando, rodando lá iam cantando pedindo às gotinhas de água que viessem regar as pedras, formar um rio e verdejar as margens.
Tanto cantaram, tanto pediram, tanto desejaram que umas gotinhas que por lá andavam, embora nas profundezas, ouviram os rogos destas crianças juntaram-se todas, deram as mãos colocando-se umas por cima das outras, foram pressionando, pressionando até conseguirem romper a rocha mais alta. Primeiro em forma de lágrima, depois engrossando num minúsculo fio. Pedindo ajuda ao vento, começaram a cair escorregando pela rocha espraiando-se pelo leito seco do vale formando um belo ribeiro de águas cristalinas e suaves onde as crianças, de olhos risonhos e brilhantes, não querendo acreditar no que viam, se apressaram a descalçar e mergulhar os pés naquela água fresca e revigorante, numa alegre chilreada. Tão grande, que até os passarinhos vieram e fizeram com elas um cântico, que entoou os ares e deu mais vida à vida.
Os adultos, que viviam num mundo bem diferente do das crianças, ficaram atónitos, sem saberem o que estava a acontecer, mas alegres e comovidos. Até se viam lágrimas escorrendo por alguns rostos, gratos à Mãe Natureza.
As crianças, essas estavam felizes. Finalmente o seu sonho realizara-se.
Escrevi este conto para a sessão de leitura pública do Grupo de Escrita Criativa da Universidade de Aveiro, para a qual fui convidada e desafiada a escrever sobre a palavra escolhida "ribeiro".
Tive o enorme privilégio de me ser pedido o conto, por uma professora do 1.º Ciclo que estava presente, para ser lido às crianças.
São elas o alvo privilegiado da minha escrita.
Todas as fotos que publico sem que identifique autoria são sempre minhas.
Este vale era ladeado por altos penhascos secos.
Já fora outrora um vale verdejante, com um rio caudaloso, de águas tão límpidas que as pedrinhas do seu fundo, se viam brilhando ao sol, roubando-lhe imensos reflexos.
Nesse tempo, as crianças deleitavam-se chapinhando na água e brincando nas suas margens.
Mas toda essa magia tinha desaparecido, por incúria dos adultos que não respeitaram aquele bem precioso que lhes fora oferecido.
Usaram pesticidas e outros produtos, com que poluíram os lençóis freáticos, replantaram as encostas com árvores que contaminaram e secaram a água, usaram e abusaram dela ao lavar carros, regar relvas e relvados de jardins e campos de golfe.
Tanto fizeram que lentamente as fontes se transformaram num fio de água, e algumas secaram. O rio que se estendia pelo vale foi diminuindo o seu caudal, até se transformar num ribeiro, depois num riacho, desaparecendo totalmente.
Aquele vale verdejante tornou-se seco e árido, e dele apenas havia conhecimento pelos anciãos que, sentados à volta da lareira ao serão, nas noites longas de Inverno, contavam às crianças que os escutavam avidamente, como se de uma história de encantar se tratasse.
Hoje, todos lamentam o que fizeram e desejam poder inverter o tempo e voltar atrás.
A água que possuem para sobreviver é a que aprenderam a reter da chuva abundante no Inverno. Recolhem-na sem desperdiçar uma única gota e assim podem beber e ainda regar, no tempo do Estio, os produtos hortícolas.
Estudaram formas novas de reaproveitar a água. Não usam água limpa para a descarga do autoclismo, os jardins não têm relva, mas lindos e criativos desenhos feitos com pedrinhas, os campos de golfe desapareceram, as crianças desde tenra idade com os pais, e mais tarde com os professores aprendem o valor da água e o seu aproveitamento.
Elas que, como todos sabemos acreditam em magia, ouvindo os anciãos e as suas histórias sobre o vale encantado de antigamente, o que mais desejavam era voltarem a ter aquele rio maravilhoso que tão bom devia ser.
Enquanto brincavam, falavam muito sobre o que poderiam fazer para terem o rio de volta.
Um dia, enquanto ouviam, uma vez mais a história, perguntaram o que eram os lençóis freáticos e onde viviam.
Os anciãos, com aquela paciência e saber de quem já fez todas as perguntas ao mundo, sorrindo pela pergunta das crianças, explicaram que eram gotinhas de água que se juntavam dando as mãos e que viviam por debaixo dos nossos pés.
As crianças nessa noite nem dormiram de tanta excitação. Talvez se pedissem muito, as gotinhas de água voltassem e formassem o tão desejado rio, ou apenas um ribeiro.
Quando a manhã chegou foram para o centro do vale, deram as mãos e rodando, rodando, rodando lá iam cantando pedindo às gotinhas de água que viessem regar as pedras, formar um rio e verdejar as margens.
Tanto cantaram, tanto pediram, tanto desejaram que umas gotinhas que por lá andavam, embora nas profundezas, ouviram os rogos destas crianças juntaram-se todas, deram as mãos colocando-se umas por cima das outras, foram pressionando, pressionando até conseguirem romper a rocha mais alta. Primeiro em forma de lágrima, depois engrossando num minúsculo fio. Pedindo ajuda ao vento, começaram a cair escorregando pela rocha espraiando-se pelo leito seco do vale formando um belo ribeiro de águas cristalinas e suaves onde as crianças, de olhos risonhos e brilhantes, não querendo acreditar no que viam, se apressaram a descalçar e mergulhar os pés naquela água fresca e revigorante, numa alegre chilreada. Tão grande, que até os passarinhos vieram e fizeram com elas um cântico, que entoou os ares e deu mais vida à vida.
Os adultos, que viviam num mundo bem diferente do das crianças, ficaram atónitos, sem saberem o que estava a acontecer, mas alegres e comovidos. Até se viam lágrimas escorrendo por alguns rostos, gratos à Mãe Natureza.
As crianças, essas estavam felizes. Finalmente o seu sonho realizara-se.
Escrevi este conto para a sessão de leitura pública do Grupo de Escrita Criativa da Universidade de Aveiro, para a qual fui convidada e desafiada a escrever sobre a palavra escolhida "ribeiro".
Tive o enorme privilégio de me ser pedido o conto, por uma professora do 1.º Ciclo que estava presente, para ser lido às crianças.
São elas o alvo privilegiado da minha escrita.
Todas as fotos que publico sem que identifique autoria são sempre minhas.
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