Criança pequena, mal se segurava ainda nas pernas e nas palavras, seguia o pai, enquanto este tratava da horta, saltitando alegremente.
O canteiro das alfaces acabadas de plantar, pareciam-lhes luzinhas verdes todas muito certinhas em carreira, em cima da maracha que havia de lhes ser suporte para regas futuras e dificultando o acesso às lesmas e caracóis tão amigos de se banquetearem com aquelas folhinhas frescas.
A cada dia que passava mais e mais se notava o crescimento daquelas folhinhas dando forma e corpo à adulta alface.
Certa vez a menina, sempre atenta aos gestos e palavras do pai ouviu-o dizer:
- As alfaces crescem a olhos vistos!
Estas palavras ecoaram naquela cabecinha pequena, maravilhando-a.
No dia seguinte, sem dizer nada a ninguém, sentou-se muito quietinha, junto do canteiro das alfaces e por ali ficou esquecida.
A mãe, dando pela sua falta, procurou-a e encontrando-a junto ao canteiro, perguntou-lhe:
- Filha o que fazes aqui? Andava doida à tua procura!
A menina, muito calmamente, olhando a mãe, com aquela ternura e simplicidade que só as crianças conseguem, disse-lhe:
- Estou a ver crescer as alfaces.
- A ver crescer as alfaces? – perguntou a mãe, muito surpreendida.
- Sim, respondeu a menina. O pai disse que as alfaces crescem a olhos vistos...
Como é bom ser criança!
foto da net















































