17/07/11

Sede


Quando a tua música
Toca no meu coração
Sento-me em silêncio
ouvindo-a apenas
e aos trinados dos passarinhos,
os zumbidos das abelhas,
o coaxar das rãs,
o ondular da água na cascata
sons que se lhe vêm juntar
à música que o meu coração escuta…
cascata cantando de pedra em pedra
beijando o meu corpo
que se lhe oferece sequioso
matando a sede.

03/07/11

in.viver


Talvez não saibas que passaste pela vida desaproveitando
Um Olhar
admirar
Um pôr -de-sol
Um sorriso em rosto amigo
Querido
O desabrochar do botão
O re.nascer do dia
 uma manhã radiosa
o cheiro da terra molhada
e do vento ciciando nas canas
como quem sussurra segredos
e hoje…
em que os dias
trazem no seu seio contagem decrescente
os medos…
será porque finalmente sabes?...

14/06/11

Avesso dos dias


Ainda que o avesso dos dias seja uma constante
Nesta caminhada em passo célere
Há sempre uma esperança
Na folha que se espraia
Espelha
espalha
Lentamente
Delicada
E colorida
No espelho de água
verde...


Até que os passos sejam de regresso.
A foto tirei ali num local de Lisboa.

26/05/11

Alecrim

Talvez não saibas
mas os dias mais
brilhantes
são aqueles
em que o vento
me traz um cheirinho
a alecrim,

Talvez não lembres
os dias felizes
em que o alecrim
floria nos teus olhos
e os sonhos eram
eternizar
a Primavera.

21/05/11

Amizade

As ondas batem na rocha
fortemente
cheios de fúria sopram
os ventos
mas há sempre uma
rocha que resiste.
pega nela, usa-a!
constrói os alicerces
da tua amizade!...

15/05/11

A Pedra


Era uma pedra. Igual a tantas outras pedras.
Mas o local onde nascera tornava-a diferente das outras pedras.
O sol, desde o nascer, até ao deitar incidia nela emprestando-lhe um brilho incomum.
Por ali passavam muitas pessoas que paravam admirando aquele brilho. Mas todas seguiam o seu caminho.
Só ele, parecia ficar encantado nas sombras, luz, e reflexos, de tal forma que vinha todos os dias como quem obedece a uma atração à qual não consegue resistir.
Tanto admirou que começou a nascer dentro dele o desejo de ter para si aquela bela pedra.
Um desejo que foi crescendo ocupando-lhe o pensamento . Teria de possuir aquela pedra. Teria de ser sua.
Quanto mais resistia à ideia mais ela ganhava forma e corpo na sua mente.
Tanto fez, tanto admirou, tanto segredou que convenceu a pedra a deslocar-se do seu lugar e ser sua.
Mas... a sua essência era a de uma pedra. Ele tinha-se deixado ofuscar pelo brilho. Quando já certo da sua posse, olhou para a pedra viu apenas pedra, exclamou:
- Mas és apenas uma pedra!
A pedra, embora entristecida respondeu:
- Sempre fui pedra. Apaixonaste-te pelo meu brilho mas não pela minha essência.
Então, a pedra que era apenas uma pedra, deu um salto voltando para o lugar que era o seu e onde podia ter o brilho, reflexos de sol e sombra continuando a fazê-la parecer diferente.
Quem por ali passava parava, admirava, mas seguia o seu caminho porque a pedra era apenas uma pedra...


Foto de Z. a quem agradeço.

03/05/11

Generosidade

A generosidade é o piano do sentir...


Foto de z. a quem agradeço a generosidade.

01/05/11

leveza...

Sabes mãe, onde te vejo quando a saudade bate assim, daquela que parece não caber no peito?
Ali, na leveza da flor que secou e basta apenas um ligeiro sopro para se elevar desaparecendo no ar, tal como tu...
E hoje, neste dia em que um pouco por todo o mundo festejam aqueles que ainda fazem acontecer a magia, dizem ser também dia de todas as mães...
talvez porque também as mães sejam um dos motores fundamentais do mundo?
Então interrogo-me assim, como sempre me conheceste a interrogar:
Se é tão importante o dia da mãe, porque andam sempre a mudar-lhe a data? O dia do pai, é sempre em data fixa. 19 de Março e nada mais!
Terá alguma coisa a ver com o poder do dinheiro, senhor de todos os dias?

25/04/11

Liberdade!

Festejar efemérides é, acima de tudo, permitir exigindo, que se cumpram os objectivos.
Que re.nasça em crescendo a esperança!
 
 
Imagem da net.

21/04/11

A rã

Há muito que vivia ali, sempre debaixo de água para passar despercebida.
As pedras eram a sua companhia. Solitárias e caladas apenas se olhando como quem sabe o lugar das coisas.
De quando em quando ouvia o chilrear dos pássaros que se misturava com as vozes dos humanos que por ali se deliciavam mergulhando nas águas do rio onde vivia.
Era nessas altura que sentia uma grande curiosidade e vinha à tona, lenta e timidamente espreitar o que se passava e por ali ficava, meio dissimulada pelas madeiras e ramos que lhe serviam de protecção. Usava de mil cautelas, pois já tinha ouvido uma conversa, sobre os humanos gostarem de se banquetear com as suas pernas.
Nessa altura, o seu coração de rã, já de si tão pequenino, ainda mais se encolheu pensando que poderia acabar, assim panada, no prato de alguém.
Graças ao seu cuidado, já tinha assistido ao passar de Verões, altura que atraía muita gente aquele local, a que ouvira chamar Praia Fluvial e que enchiam o ar com barulhos estranhos, fumo de brasas e odores de comidas várias. Nessa altura, os seus cuidados teriam de ser redobrados pois a água ficava povoada de crianças e pais brincando e mergulhando, como ela, dentro do Rio, numa amálgama de pés, mãos, braços e corpos.
Estava sempre desejosa que chegasse o Inverno, que trazia consigo a paz e o sossego, a água do rio ficava mais quente e caudalosa, o que permitia às ervas crescerem tapando uma grande quantidade de pedras que lhe serviam de abrigo.
Foi numa destas espreitadelas curiosas que eu a apanhei, não para lhe comer as pernas, mas sim, para a fixar na imagem e trazê-la até vós.

01/04/11

Repouso


Deixa descansar as minhas asas na concha das tuas mãos...

Foto de mão amiga que agradeço.