26/05/11

Alecrim

Talvez não saibas
mas os dias mais
brilhantes
são aqueles
em que o vento
me traz um cheirinho
a alecrim,

Talvez não lembres
os dias felizes
em que o alecrim
floria nos teus olhos
e os sonhos eram
eternizar
a Primavera.

21/05/11

Amizade

As ondas batem na rocha
fortemente
cheios de fúria sopram
os ventos
mas há sempre uma
rocha que resiste.
pega nela, usa-a!
constrói os alicerces
da tua amizade!...

15/05/11

A Pedra


Era uma pedra. Igual a tantas outras pedras.
Mas o local onde nascera tornava-a diferente das outras pedras.
O sol, desde o nascer, até ao deitar incidia nela emprestando-lhe um brilho incomum.
Por ali passavam muitas pessoas que paravam admirando aquele brilho. Mas todas seguiam o seu caminho.
Só ele, parecia ficar encantado nas sombras, luz, e reflexos, de tal forma que vinha todos os dias como quem obedece a uma atração à qual não consegue resistir.
Tanto admirou que começou a nascer dentro dele o desejo de ter para si aquela bela pedra.
Um desejo que foi crescendo ocupando-lhe o pensamento . Teria de possuir aquela pedra. Teria de ser sua.
Quanto mais resistia à ideia mais ela ganhava forma e corpo na sua mente.
Tanto fez, tanto admirou, tanto segredou que convenceu a pedra a deslocar-se do seu lugar e ser sua.
Mas... a sua essência era a de uma pedra. Ele tinha-se deixado ofuscar pelo brilho. Quando já certo da sua posse, olhou para a pedra viu apenas pedra, exclamou:
- Mas és apenas uma pedra!
A pedra, embora entristecida respondeu:
- Sempre fui pedra. Apaixonaste-te pelo meu brilho mas não pela minha essência.
Então, a pedra que era apenas uma pedra, deu um salto voltando para o lugar que era o seu e onde podia ter o brilho, reflexos de sol e sombra continuando a fazê-la parecer diferente.
Quem por ali passava parava, admirava, mas seguia o seu caminho porque a pedra era apenas uma pedra...


Foto de Z. a quem agradeço.

03/05/11

Generosidade

A generosidade é o piano do sentir...


Foto de z. a quem agradeço a generosidade.

01/05/11

leveza...

Sabes mãe, onde te vejo quando a saudade bate assim, daquela que parece não caber no peito?
Ali, na leveza da flor que secou e basta apenas um ligeiro sopro para se elevar desaparecendo no ar, tal como tu...
E hoje, neste dia em que um pouco por todo o mundo festejam aqueles que ainda fazem acontecer a magia, dizem ser também dia de todas as mães...
talvez porque também as mães sejam um dos motores fundamentais do mundo?
Então interrogo-me assim, como sempre me conheceste a interrogar:
Se é tão importante o dia da mãe, porque andam sempre a mudar-lhe a data? O dia do pai, é sempre em data fixa. 19 de Março e nada mais!
Terá alguma coisa a ver com o poder do dinheiro, senhor de todos os dias?

25/04/11

Liberdade!

Festejar efemérides é, acima de tudo, permitir exigindo, que se cumpram os objectivos.
Que re.nasça em crescendo a esperança!
 
 
Imagem da net.

21/04/11

A rã

Há muito que vivia ali, sempre debaixo de água para passar despercebida.
As pedras eram a sua companhia. Solitárias e caladas apenas se olhando como quem sabe o lugar das coisas.
De quando em quando ouvia o chilrear dos pássaros que se misturava com as vozes dos humanos que por ali se deliciavam mergulhando nas águas do rio onde vivia.
Era nessas altura que sentia uma grande curiosidade e vinha à tona, lenta e timidamente espreitar o que se passava e por ali ficava, meio dissimulada pelas madeiras e ramos que lhe serviam de protecção. Usava de mil cautelas, pois já tinha ouvido uma conversa, sobre os humanos gostarem de se banquetear com as suas pernas.
Nessa altura, o seu coração de rã, já de si tão pequenino, ainda mais se encolheu pensando que poderia acabar, assim panada, no prato de alguém.
Graças ao seu cuidado, já tinha assistido ao passar de Verões, altura que atraía muita gente aquele local, a que ouvira chamar Praia Fluvial e que enchiam o ar com barulhos estranhos, fumo de brasas e odores de comidas várias. Nessa altura, os seus cuidados teriam de ser redobrados pois a água ficava povoada de crianças e pais brincando e mergulhando, como ela, dentro do Rio, numa amálgama de pés, mãos, braços e corpos.
Estava sempre desejosa que chegasse o Inverno, que trazia consigo a paz e o sossego, a água do rio ficava mais quente e caudalosa, o que permitia às ervas crescerem tapando uma grande quantidade de pedras que lhe serviam de abrigo.
Foi numa destas espreitadelas curiosas que eu a apanhei, não para lhe comer as pernas, mas sim, para a fixar na imagem e trazê-la até vós.

01/04/11

Repouso


Deixa descansar as minhas asas na concha das tuas mãos...

Foto de mão amiga que agradeço.

27/03/11

Voar


És ave
Nasceste com asas nos olhos
não os feches
não as deixes queimar
Agarrar
Cortar
Sempre houve quem
Se aprontasse de tesoura aberta
Para cortar voos
Por mero despeito,
Ciúme,
Ou simplesmente
Desespero
De não poder voar
Porque nem todos nascem
Com asas
Nos olhos.
Agradeço a foto ao Z

25/03/11

Céu...

- O que trazes aí escondido na palma da tua mão?
- Um balão.
- Um balão?
- Sim. Para voarmos os dois...


imagem encontrada na net

24/03/11

Gritos de papel

É já na sexta-feira próxima, que a amiga Filipa Epifânio vai lançar o seu primeiro romance.
Será um ponto alto na sua vida e por isso aqui fica o convite e um beijinho meu, com votos de grande sucesso!

21/03/11

Primavera!


Dobrada pela cintura,
foucinho na mão,
Cortas com desvelo
pedaços de Primavera
que carregas à cabeça
Sabes da cor
De tão preciosa carga
Não lhe conheces o nome,
Apenas o cansaço e suor
Da urze e da carqueja, conheces a flor,
Sorris,
Sabendo apenas
Que irá ser conforto de estômago e corpo
De outros seres,
Que conheces pelo nome,
e te irão um dia também
mitigar a fome.
Sorris do cansaço que negas ter,
Sorris do peso da Primavera
Que negas sentir,
Sorris apenas
E segues o teu caminho
Indiferente
Ao meu olhar que se orvalha...

Uma menina que encontrei nas minhas deambulações e a quem tirei uma foto com a sua autorização. O rosto ficou na sombra com um propósito. Por isso a coloco aqui.grata!

20/03/11

A ti, Graça Pires!

O dia vestiu-se de sol e azul para acolher gente bonita unida por fios mais invisíveis do que teias de aranha, prontos a unir-se formando a colcha de renda...
A poeta Graça Pires deu o mote, tocou o tambor do chamamento que todos esperavam para meterem pés a caminho...apresentação do seu novo livro: "A Incidência da Luz".
Local de encontro: Biblioteca Municipal de Cascais.
E acorreram, vindos de todos os cantos deste nosso belo país as gentes, que unidas na mesma causa, a poesia, acudiram ao chamamento.
E foi bom ver os rostos sorridentes como aquele sol que nos aquecia os ombros por fora como o sorriso aquecia os corações por dentro.
Braços no ar em que a mão era o complemento do sorriso em acenos de gostar!
A IMF no seu jeito próprio de quem pede desculpa por ali estar, abriu a boca e soltou a genialidade da palavra, a sua!
A Alice, numa voz calma e pausada, deu a conhecer aos presentes o posfácio da sua autoria e que se pode encontrar no final deste pedaço de poesia onde a luz incide.
O vitor Mateus, A Gisela, o Rui e tantos outros da assistência de que desconheço o nome, agraciaram a presença e a dádiva da autora, lendo de forma sentida, poemas que escolheram deste livro.
e eu, qual pena de pássaro esvoaçante, também lá estava com o sorriso no olhar e tentando registar o momento.
Perdoem a foto porque a minha vontade é muito maior do que o trabalho final. :)
a todos um beijo enorme, porque adorei rever os amigos já conhecidos e conhecer as novas caras por detrás das palavras!
Bom domingo!
 
A ti, Graça o meu obrigada de uma forma particular pela generosidade da partilha de tão lindos sentires que nos chegam bem fundo da alma.

18/03/11

Simplicidade

Na sua singeleza rebentou do ventre da terra
abriu os frágeis tentáculos
entrelaçando quem lhe tinha dado vida,
ergueu os olhos ao sol,
confundiram-se os amarelos...
... na Serra do Socorro

11/03/11

Escrita com luz

Porque vai ser um momento ímpar e porque gosto da autora e do que escreve. E com o selo de garantia de Isabel Mendes Ferreira... não esquecendo a Alice Macedo Campos cuja escrita é muito própria.
Eu vou estar e espero que muitos outros amigos também.

(Clique em cima para ampliar a imagem)

10/03/11

tarefas

A dignidade não está na tarefa que fazes, mas na forma como a fazes...

foto: pintura de Georges Seurat

08/03/11

Mulher

Tu mulher,
sejas sempre
flor entre as flores,
companheiras de vida de homens também!

27/02/11

Amor


A morte vestiu-se de barco em corpo de água...
Tinha asas e voava, alegre e feliz percorrendo o céu, namorando o mar, banhando-se nas suas ondas em alegres gritos de prazer sempre que recolhia no seu bico o alimento da vida, dádiva que agradecia.
Apreciava durante os seus voos tantos olhares de quem sonhava como ela, voar livre amando  o mar.
Tinha asas e voava, mas... como todos os seres vivos que habitam este planeta, sabia da sua finitude e que chegaria o seu ponto de partida. O dia em que sobre as suas asas sopraria um vento leve e frio derrubando-as na areia que lhes seria manto e mortalha.
Tinha vivido cada momento e quando se diluísse iria ser parte desse mar que tanto amara em vida, por isso partia feliz de onde e para onde sempre pertencera...


foto de Z. a quem agradeço

18/02/11

esvoaçando 1


Bom amigo,

Entendo da tua necessidade de saber se me sinto bem. Entendo-a por mim.
Sabes que felizmente os dias não são iguais e sou pessoa de pegar numa
vassoura e vassourar nuvens negras...
Nem sempre, no entanto, temos a força necessária, para tantas agressões exteriores a nós, a que somos diariamente, sujeitos...
Mas sim, hoje o dia acordou risonho, fui à praça da rua comprar fruta, legumes e outras coisas necessárias à alimentação da família, ajudei e fui ajudada e por isso só tenho de dar graças pelo que me é dado. Além disso tenho as tuas palavras sempre amigas e ternas que ajudam a encher os dias de um pouco mais de sol...
Envio-te algo hoje, que sei e entendo pertencer à chamada cultura mas que para mim (isto é um segredo que te revelo) não tem qualquer valor. É austero e sempre que olho para esta concentração de riqueza, vejo a fome e sofrimento de tantos povos para que isto se materializasse e materialize em nome de um Deus que sendo amor, querem transformar em fausto e glória de bens terrenos.
Afinal nascemos, vivemos, morremos e tudo fica,  até que o tempo o apague na sua borracha impiedosa, dizem uns, eu direi apenas inteligente...
Sei que sou esquisita e estranha. Tenho vivido com este estigma desde tenra idade de tal modo que já me é pele,  por isso te digo este segredo por saber que me entendes e me aceitas com toda a minha estranheza,  tal qual sou.
E assim, porque hoje é sexta e amanhã dizemos adeus à rotina que tanto nos "aperreia" o viver,  te envio beijos na ponta dos dedos soprados com um sorriso
para que o dia te seja um pouco mais...

Com amizade, até outro momento

TB


foto de uma catedral de Milão