28/05/09

pétalas


Para ti trouxe pétalas de rosa
orvalho da manhã
dos dias que sorriem para nós.
salpiquei cada uma de beijinhos

soprei sonhos, fantasia e amizade.
Elas farão renascer outros dias-anos, festa
até à eternidade...

Para ti amiga, deixo estas pétalas.

17/05/09

sei de um lugar


Sei de um lugar
cheira a rosmaninho
cheira a alecrim
cheira a malva
cheira a esteva
cheira a amor
tem flores
flores de mil cores.
espraia-se o olhar
e até onde a vista alcança
há vermelho, amarelo e verde
como a esperança
tem casario, pontes e rio
tem passarinhos a voar
tem sonhos e mimos
e carinhos feitos ao luar
sei de um lugar
um madrigal
madrigal
feito para sonhar.
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imagem: net

15/05/09

pensamentos


Dou por mim a pensar:
Será o cérebro das pessoas inversamente proporcional
ao tamanho dos seus casarões?
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foto da net

01/05/09

interrogações


Porque será
que nesta sociedade de deve e haver
o fiel(?) da balança
cai sempre para o mesmo lado?
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imagem do google

25/04/09

tu, liberdade!


Vieste de madrugada, liberdade
em forma de canção
trouxeste mensagem das searas e dos mares
gotas de espigas loiras criando a imensidão.
crianças, adultos como aves,
Brotaram de campos, cidades, de estradas e becos
De todas as esquinas
De lábios postos em oração
Novas palavras, novas ideias, novos abraços
o que era triste e apagado, brilhou
o que estava há tanto tempo calado, falou
como rios que não sustentam a margem
a multidão se espraiou
se fez criança
sonhou...
hoje se fez adulto
o sonho onde ficou?
Limitaram-te as margens, rio
Abafaram as canções
Falaram em utopia
Querendo fazer-te acreditar
Que é proibido ao adulto sonhar
Criar
Desvendar
Apenas
É preciso
Acreditar
Querer
Lutar
Para a ordem das coisas
Mudar.

14/04/09

pensamento


Apenas é verdadeiramente nosso, o que somos,
de resto nada mais...
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imagem retirada da net

12/04/09

como pássaros...


Ainda a manhã esfrega os olhos sonolenta
Vêm de azul, vermelho ou amarelo, em bando
Pés de “avaianas” vestidos, ou despidos,
Batendo leve na desfeita calçada
Olhos brilhantes de inocência
em alegre chilreada
Como se pássaros,
Voando.

31/03/09

regresso


e os dias passam pelos caminhos das voltas da vida...
como as andorinhas saudosas dos altos beirais
em que abrigam os seus ninhos.
Assim, cá estou!

22/02/09

partida


Há alturas da nossa vida em que temos que fechar as portas, páginas do que somos, e recomeçar a escrever um novo livro.
Fecho as páginas mas, aqui ou noutro local qualquer, estarão sempre comigo os amigos que ao longo destes anos me têm acompanhado por estas linhas e muito me têm premiado e honrado com a sua presença, aos quais muito agradeço.
Não poderei continuar, por agora. Um dia espero voltar.
O que importa não é o local, mas a amizade!
Até sempre com carinho da

tb

18/02/09


Sussurro ao vento que me leve até ti
em forma de brisa que te acaricie a face...
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03/02/09

sou


Sou a boca que pouco fala
O olhar que se prende
O ouvido que escuta
A ave que voa
O ombro que ampara
A mão que segura
A atenção que retém
O lábio que acaricia
Quando o amor vem
O peito que aconchega
A voz que descansa
Sou...
A bonança
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imagem da net

31/01/09

mar e sol


olho-te
e na tua serenidade...encontro o meu bem-estar
e no meu olhar encontras a tua paz
fechas teus olhos
aproximo a minha face da tua
e sondo-te num beijo terno, infinito
fazendo dos teus lábios os dedos da minha alma
que sabe a maresia e a mel
que reconhecem cada bocadinho de ti
que sabe a algas
beijo-te com a ternura do sol
beijo-te com a ternura do mar
no beijo ao sol quando se põe
com a harmonia do mar quando acorda
sinto na tua boca, o ondular
do mar
o sabor a maresia
e mais não somos do que pedaços de mar e sol
na alegria inebriante do renascer.
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foto da net

18/01/09

linhas de nós


Rompia a mais clara madrugada
As sombras lá fora
Anunciavam o dia despontando
Viemos de mansinho
ficámos calados
Entreguei-me
Era um livro para leres
Feito linhas
Escritas e a escrever
Entregaste-te
Entregámo-nos
Leste-me
li-te
e o que era noite,
alvoroceu
até que uma página do livro se escreveu
Continuamos a escrita...?

06/01/09

flor da amizade


Ofereces-me flores,
de todos os nomes,
de todas as cores
mas

a mais bela de todas
na verdade

tem sido
a tua amizade.
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Um miminho para ti neste dia que é o teu :)

com carinho e amizade
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foto de mão amiga :)***

04/01/09

conflitos


Porque se mata a humanidade
se a morte tão certa é como a vida ou mais,
muito mais?!
Deixando crianças, orfãs, destroçadas, desmembradas
Olhares sem luz nem amanhã
sem que saibam porquê
sem entender porque à sua volta só há morte
e a nós
resta perplexidade e vergonha (?)talvez.
Ou muito mais.
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imagem da net

31/12/08

feliz 2009


O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres
te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papeis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória,
doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
os irreparáveis uivos do lobo na solidão.
O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...
Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereces viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muitas coisas já expirou,
outras espreitam a morte,
mas estás vivo.
Ainda uma vez vivo,
e de copo na mão
esperas amanhacer.
O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
O recurso da bola colorida,
O recurso de Kant e da poesia,
todos eles... e nenhum resolve.
Surge a manhã de um novo ano.
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está estupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.
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(Carlos Drummond de Andrade)

16/12/08

fantasia


Era criança
criança ladina
que corria, corria
corria, traquina
E irrequieta
Pegava na varinha
Feita por si
de seca palhinha
taça na mão
de água e sabão
roubados da mãe
soprava, soprava
e corria, corria
atrás das bolas
redondas de mil cores
voando em ruidosa alegria
bolas, agora feitas
não já de sabão
mas de sonho
e fantasia.
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imagem da net