25/04/09

tu, liberdade!


Vieste de madrugada, liberdade
em forma de canção
trouxeste mensagem das searas e dos mares
gotas de espigas loiras criando a imensidão.
crianças, adultos como aves,
Brotaram de campos, cidades, de estradas e becos
De todas as esquinas
De lábios postos em oração
Novas palavras, novas ideias, novos abraços
o que era triste e apagado, brilhou
o que estava há tanto tempo calado, falou
como rios que não sustentam a margem
a multidão se espraiou
se fez criança
sonhou...
hoje se fez adulto
o sonho onde ficou?
Limitaram-te as margens, rio
Abafaram as canções
Falaram em utopia
Querendo fazer-te acreditar
Que é proibido ao adulto sonhar
Criar
Desvendar
Apenas
É preciso
Acreditar
Querer
Lutar
Para a ordem das coisas
Mudar.

14/04/09

pensamento


Apenas é verdadeiramente nosso, o que somos,
de resto nada mais...
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imagem retirada da net

12/04/09

como pássaros...


Ainda a manhã esfrega os olhos sonolenta
Vêm de azul, vermelho ou amarelo, em bando
Pés de “avaianas” vestidos, ou despidos,
Batendo leve na desfeita calçada
Olhos brilhantes de inocência
em alegre chilreada
Como se pássaros,
Voando.

31/03/09

regresso


e os dias passam pelos caminhos das voltas da vida...
como as andorinhas saudosas dos altos beirais
em que abrigam os seus ninhos.
Assim, cá estou!

22/02/09

partida


Há alturas da nossa vida em que temos que fechar as portas, páginas do que somos, e recomeçar a escrever um novo livro.
Fecho as páginas mas, aqui ou noutro local qualquer, estarão sempre comigo os amigos que ao longo destes anos me têm acompanhado por estas linhas e muito me têm premiado e honrado com a sua presença, aos quais muito agradeço.
Não poderei continuar, por agora. Um dia espero voltar.
O que importa não é o local, mas a amizade!
Até sempre com carinho da

tb

18/02/09


Sussurro ao vento que me leve até ti
em forma de brisa que te acaricie a face...
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03/02/09

sou


Sou a boca que pouco fala
O olhar que se prende
O ouvido que escuta
A ave que voa
O ombro que ampara
A mão que segura
A atenção que retém
O lábio que acaricia
Quando o amor vem
O peito que aconchega
A voz que descansa
Sou...
A bonança
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imagem da net

31/01/09

mar e sol


olho-te
e na tua serenidade...encontro o meu bem-estar
e no meu olhar encontras a tua paz
fechas teus olhos
aproximo a minha face da tua
e sondo-te num beijo terno, infinito
fazendo dos teus lábios os dedos da minha alma
que sabe a maresia e a mel
que reconhecem cada bocadinho de ti
que sabe a algas
beijo-te com a ternura do sol
beijo-te com a ternura do mar
no beijo ao sol quando se põe
com a harmonia do mar quando acorda
sinto na tua boca, o ondular
do mar
o sabor a maresia
e mais não somos do que pedaços de mar e sol
na alegria inebriante do renascer.
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foto da net

18/01/09

linhas de nós


Rompia a mais clara madrugada
As sombras lá fora
Anunciavam o dia despontando
Viemos de mansinho
ficámos calados
Entreguei-me
Era um livro para leres
Feito linhas
Escritas e a escrever
Entregaste-te
Entregámo-nos
Leste-me
li-te
e o que era noite,
alvoroceu
até que uma página do livro se escreveu
Continuamos a escrita...?

06/01/09

flor da amizade


Ofereces-me flores,
de todos os nomes,
de todas as cores
mas

a mais bela de todas
na verdade

tem sido
a tua amizade.
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Um miminho para ti neste dia que é o teu :)

com carinho e amizade
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foto de mão amiga :)***

04/01/09

conflitos


Porque se mata a humanidade
se a morte tão certa é como a vida ou mais,
muito mais?!
Deixando crianças, orfãs, destroçadas, desmembradas
Olhares sem luz nem amanhã
sem que saibam porquê
sem entender porque à sua volta só há morte
e a nós
resta perplexidade e vergonha (?)talvez.
Ou muito mais.
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imagem da net

31/12/08

feliz 2009


O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres
te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papeis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória,
doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
os irreparáveis uivos do lobo na solidão.
O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...
Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereces viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muitas coisas já expirou,
outras espreitam a morte,
mas estás vivo.
Ainda uma vez vivo,
e de copo na mão
esperas amanhacer.
O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
O recurso da bola colorida,
O recurso de Kant e da poesia,
todos eles... e nenhum resolve.
Surge a manhã de um novo ano.
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está estupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.
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(Carlos Drummond de Andrade)

16/12/08

fantasia


Era criança
criança ladina
que corria, corria
corria, traquina
E irrequieta
Pegava na varinha
Feita por si
de seca palhinha
taça na mão
de água e sabão
roubados da mãe
soprava, soprava
e corria, corria
atrás das bolas
redondas de mil cores
voando em ruidosa alegria
bolas, agora feitas
não já de sabão
mas de sonho
e fantasia.
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imagem da net

10/12/08

e porque é Natal...


Costumo ser convidada para escrever um artigo de opinião para o jornal daqui da terra, o que acontece com a periodicidade de um por mês. Nunca aqui publiquei nenhum desses artigos, mas hoje, e por indicação de amigos cuja opinião estimo, publico este, saído no jornal de hoje, para ser apreciado também por vós que aqui passam e ao mesmo tempo, abraçar-vos a todos, nos meus votos de Bom Natal!
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"E como não devo escrever mais nenhum artigo antes do dia 25, gostaria de aqui endereçar os melhores votos a todos os leitores que ao longo do tempo vão tendo a gentileza e paciência de me lerem, e a todos os que tornam este Jornal possível.
*
E porque é natal (ou será pela proximidade de eleições?) temos tido alguns dos “ilustres colegas escribas” nesta rubrica, a distribuirem alguns mimos uns aos outros, próprios da época, mas sem papéis nem laços porque preservam o ambiente e a ecologia, bem como o espaço público, que nesta quadra e depois da noite da entrega de prendas, deixam as redondezas dos contentores, autênticos depósitos, de um mundo que está cada dia que passa, mais vocacionado para o desperdício, para o superfluo, dando-nos uma panorâmica do nível do civismo deste nosso pequeno rectângulo, dizem alguns, à beira mar plantado.
*
E porque é natal, o natal que querem transformar apenas em comércio e prendas mesmo que destituídas de qualquer sentido afectivo, talvez fosse a altura ideal para uma reflexão sobre o porquê de, numa altura em que a palavra crise anda na boca de todos, nas páginas de jornais, revistas e programas de televisão, e sentida de facto no seio de muitas famílias, nos empurrarem, aliciarem e empaturrarem com compras disto e daquilo, quantas vezes, coisas que nem sabemos depois, o que lhes fazer, mas tornando quem as não pode comprar, em prováveis ou muito prováveis, clientes de consultórios de psicólogos e afins.
*
E porque é natal, esqueçam-se todas as empresas que fecharam ao longo do ano que passa lançando milhares de trabalhadores no desemprego e no desespero de não ter como sustentar a família, um governo que se dizendo a favor de quem trabalha e o sustenta, só fez o contrário, uma política de educação que levou a movimentações nacionais pouco vistas nos anos mais recentes, níveis de corrupção inusitados, processos que deveriam estar há muito concluídos mas que interessa que prescrevam, a vergonha nacional de tirar a quem já tem pouco para tapar autênticos roubos, sem que se faça justiça. Esqueça-se isso tudo e “embora lá, ver as luzes que é natal”!
*
E porque é natal, vamos lá todos a fazer um esforço e ver as obras da Câmara Municipal que são muitas e estão lá. Mas... “a gente é que não vê...”

A todos um bom Natal!"
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imagem da net

06/12/08


Amanhecia um novo dia de trabalho.
Mas lá ao fundo, sozinho, longe do barco e da costa, Fernão Capelo Gaivota treinava. A trinta metros da superfície azul brilhante, baixou os seus pés com membranas, levantou o bico e tentou a todo custo manter as suas asas numa dolorosa curva fazia com que voasse devagar, e então a sua velocidade diminuiu até que o vento não fosse mais que um ligeiro sopro, e o oceano como que tivesse parado, abaixo dele. Cerrou os olhos para se concentrar melhor, susteve a respiração e forçou ... só ... mais ... um ... centímetro ... de ... curva ... Mas as penas levantaram-se em turbilhão, atrapalhou-se e caiu.
Como se sabe, as gaivotas nunca se atrapalham, nunca caem. Atrapalhar-se no ar é para elas desgraça e desonra. Mas Fernão Capelo Gaivota - sem se envergonhar, abrindo outra vez as asas naquela trémula e difícil curva, parando, parando ... e atrapalhando-se outra vez! - não era um pássaro vulgar.
A maior parte das gaivotas não se preocupa em aprender mais do que os simples factos do voo - como ir da costa à comida e voltar. Para a maioria, o importante não é voar, mas comer. Para esta gaivota, contudo, o importante não era comer, mas voar. Antes de tudo o mais, Fernão Capelo Gaivota adorava voar...” (in, Fernão Capelo gaivota, BACH Richard)
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Como ele,também tu, minha querida, não és um pássaro vulgar... por isso não te envergonhes nunca de caires que o principal é levantar, cabeça erguida e...voar! que nunca as asas te faltem para grandes voos.
Muitos beijinhos neste dia especial.:):):)*****
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imagem do google

05/12/08

palavras ao vento


Fiz-me pena e voei
fui ter com o vento
Voei, voei, voei
Até que com ele me encontrei
Não sabendo ao que ia
Ficou surpreso de me ver
fui contar-lhe
Das minhas angústias
Tristezas
Solidão
Agruras
de um caminho percorrido e será que a percorrer?
Em silêncio se quedou e de mim tudo escutou
Tudo sabes vento? Tu que percorres mundos
Ouves rumores,
Lágrimas e segredos
porque cá na terra
Os homens estão surdos
Distraídos com o trabalho
Com o que chamam vida
Com o que dizem tempo que não deixa parar
Mas tu, vento, sempre estás aí
Sempre estiveste aí
Pronto para me escutar.
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imagem do google

24/11/08

reciclagem


Reciclamos as palavras gastas
damos-lhes novas formas,
roupagens,
sentido
sentires
valor
e no final
elas serão mimosas saltitantes,
esvoaçantes
como se pássaros voando.


foto: www.olhares.com