21/12/07

chuva de bençãos


... e que cada estrela cadente
traga no seu génesis
o brilho do olhar
em cada criança
no renascer da esperança
em dias melhores...
para que se cumpra
aquilo a que fomos destinados.

Uma chuva de estrelas
para todos!


foto: www.olhares.com

04/12/07

vai



vai
olha o céu e o mar
olha as folhas que se coloriram de tons avermelhados
despedindo-se do verão
elas sabem que irão nascer de novo
como o ciclo da vida e de percursos
deixa-te ser a folha que segue a sua rota,
o seu caminhar sempre com a certeza do renascer...

foto: www.olhares.com

07/11/07

inocência


Sentada à beira do rio escuto a água cantando de pedra em pedra
e o vento sussurrando segredos nas folhas dos salgueiros e amieiros,
abafando as vozes das crianças que brincam descuidadas,
sem sequer sonharem que há um mundo que não as deixará mais ser.


foto do google

26/10/07

A teia


Instalam-se em luxuosos palácios que não construiram
Sentam-se em cadeiras e escrevem em mesas, de exóticas madeiras,

mas cujas árvores não plantaram
Destroem a Natureza, aplaudindo e assinando acordos,

sentindo-se importantes e falando do ambiente
Acompanham as palavras com bebidas caras, com sorrisos cínicos, com corpo farto.
Falam dos pobres e famintos do mundo, sem saberem ou sequer sonharem

o que pobreza e fome sejam.
Assinam livros, tratados e guiões, fazem filmes e ganham prémios

em nome daqueles a quem vedam o caminho do progresso.
Distribuem as migalhas com que vão tecendo a teia onde as vítimas se vão alienando.

foto: http://www.fotodependente.com/img7943.search.htm

07/09/07

sonho...


Senti a brisa da tua presença...despi-me de tudo menos de mim
e entreguei-me
esquecidos ficámos do resto do mundo
só nós e o nosso sentir...
a manhã, veio de mansinho afagando.
lentamente, espreitando por entre a cortina, um raio de sol travesso
veio envolver-nos cúmplice, juntando-se ao nosso abraço.
Abrimos os olhos, sorrimos e ficámos saboreando...
foto:www.olhares.com

28/08/07

momento...


Em silêncio escuto o meu coração que fala de ti.
Num abraço retenho o momento... para sempre.

16/08/07


Deixa sempre livre o que amas, dissera-lhe a mãe já lá iam uns bons anos, mas tão bem recordava ainda aquelas palavras.
Passava junto de uns simples mas belos malmequeres brancos e amarelos, sobre os quais esvoaçavam borboletas de cores variadas o que a transportara muitos anos antes, quando ainda era criança e brincava no jardim, sob o olhar atento da sua mãe.
Adorava aquele jardim, que para além de ter baloiços, escorregas e outras coisas das quais não sabia o nome, mas onde se divertia muito, tinha imensas flores, de cores muito vivas e variadas, onde esvoaçantes borboletas gostavam de pousar.
Numa dessas manhãs quentes de verão, saltitava ela entretida com as flores, quando uma diferente de todas as outras lhe despertou a atenção. Aproximando-se cheia de curiosidade, viu surpresa, que se tratava de uma bela borboleta. Como ficara fascinada...como a desejou ter para ela... e passando do desejo ao acto, aproximou-se ainda mais e muito lentamente de mão estendida conseguiu agarrá-la correndo célere para a mãe mostrando o seu achado.
A mãe, olhando a menina com os olhos brilhantes e toda agitada pelo achado, com aquela voz tranquila e doce, que lhe fazia sempre lembrar o aconchego da mantinha no inverno frio, disse-lhe:
─ Minha filha, repara nesse pozinho que se está a agarrar aos teus dedos. É o polen das asinhas da borboleta. Ela é um ser tão belo quanto frágil e enquanto a seguras tiras-lhe o que lhe faz falta para voar de novo. Liberta-a filha, deixa sempre livre o que amas.
Assim fizera e, a borboleta depois de um bocadinho na sua mão, agora liberta, voara.
Sim, hoje entendia perfeitamente aquela lição de sua mãe, pensou enquanto nos seus lábios se desenhava um sorriso trazendo-a de novo à realidade .
foto de Google

02/08/07

esperança...2


A chuva dará lugar ao sol que com seus raios iluminará o que agora é triste...
foto: de email

24/07/07

cosmos


A falta de confiança no absoluto faz-nos não acreditar
na relatividade da vida...
foto: desconheço autor

21/07/07

Homenagem


Foi este blog nomeado para as maravilhas, agraciado com tomates, grelos e outros vegetais, convidado a aceitar desafios, correntes e outras coisas mais...
Mas...
correntes, gosto das dos rios que revoam arrastando as pedras, as dos mares trazendo e levando ondas e espuma...
as outras são apenas grilhetas que nos prendem, nos transmitem falsas vaidades, importâncias que pouco são.
Prémios, são as vossas palavras quando as deixam por cá. Leio-as e reflito com elas. Sejam a favor ou contra, entendam melhor ou pior a mensagem que pretendo deixar. São elas que enriquecem a partilha.
Nomeações é a amizade que nos une a todos nesta corrente de sentimentos e sentires, esta sim a verdadeira.
Espero que os amigos que tão simpaticamente foram escolhendo e nomeando o meu blog, para isto ou para aquilo, me perdoem por não seguir as normas e os padrões instituídos.
Estas palavras são ainda para todos os que visitam este blog mas que não faço ideia quem, pois que não tenho registo, nem contadores.
Para mim apenas quero o saber que o carinho que ponho no que faço, aproveita a alguém.
A todos agradeço e aqui deixo a minha humilde homenagem que já tardava.

15/07/07

30/06/07

do teu jardim


Do teu jardim, a primeira
Disseste sorrindo para mim
êxtase, paixão,
nobreza, amor,
ternura
Uma cascata senti
de tanta beleza assim...

14/06/07

expressões...


Dormi serena ao saber que em mim habitas... Sê também a minha morada!
foto do Google

10/06/07

sorriso


Deixo o meu sorriso abrigado num raio deste sol que desponta
acordando os passarinhos que cantam
como se também eles
se quisessem unir numa ode à nossa amizade...
foto de mão amiga

02/06/07

A árvore


Perdia-se na história dos tempos a idade da árvore, mas ali continuava assistindo ao aparecimento da carqueja e do tojo, olhando da sua altura, as flores de um amarelo intenso, misturadas com o rosa velho da urze. Aspirava deleitada aquele doce aroma que se espalhava ao redor saturando o ar de abelhas que zuniam recolhendo aqueles néctares.
Estava velha pensava, carcomido o seu interior, mas dando abrigo a um belo lagarto que outrora já fora verde mesclado de pequenos pontinhos amarelos e azuis, como se todo o corpo fosse coberto de esmeraldas e outras pedras preciosas.
Tinha assistido a muitas Primaveras, Verões e Outonos. Os Invernos passava-os bem aconchegado no fundo da sua toca, usufruindo do aconchego do tronco carcomido, onde tinha feito a sua casa.
Hoje o tom das pedras preciosas do seu corpo, tinha dado lugar a outro meio acastanhado.
Talvez por viver tantos anos na árvore, se tenha adaptado mais à cor desta, pensava a menina.
A contrastar com a idosa árvore e seu habitante, a menina era de tenra idade.
Um dia, passara descuidada saltitante pela mão da mãe, junto à árvore, e deu-se conta tanto da beleza e raridade visual desta, como do seu habitante. Ficou curiosa e voltou, agora sozinha, ao local.
Apesar da sua pouca idade, vivia num tempo em que as crianças não eram cobiçadas, roubadas nem agredidas por alguém exterior à família. (As agressões nesses anos vinham do próprio seio familiar). Podia, por isso, vir sempre que quisesse visitar a árvore e o seu habitante, de quem se foi tornando muito amiga.
Vinha nas manhãs de sol e ali se deixava ficar olhando o seu amigo lagarto, a velha árvore, o manto de flores multicolores com que o pinhal se vestia todas as primaveras, as videiras a rebentarem em viçosas folhas verdes clarinhas que se iam tornando mais escuras, até aparecerem aquelas sementinhas, muitas, muitas (a menina na altura achava que eram sementinhas) e que sabia se iriam transformar em belos e saborosos bagos de uva, que ela tanto gostava de provar.
A menina sabia, pois que acompanhava toda esta transformação, enquanto observava o seu amigo lagarto ao sol e iam falando os dois.
O lagarto contou-lhe dos outros meninos e meninas que por ali passavam e que lhe queriam fazer mal. Dos adultos que queriam cortar a sua árvore. De outras Primaveras em que o Sol tinha sido menos pródigo, recusando-se a brilhar, o que para ele era sempre motivo de não sair. Dos grandes estios que secavam as flores como se de um forno se tratasse. Da construção do lavadouro da aldeia, perto da sua toca, o que lhe valeu grandes sustos. A distinguir a flor do tojo, da carqueja e da urze. A saber que os medronhos não se podem comer em grande quantidade porque embebedam. Que o rio se transforma num pequeno regato no Verão. Que aquele castanheiro vizinho, iria dar uns frutos maravilhosos que se chamavam castanhas. Que quando os frutos estivessem bons para comer, cairiam do ouriço e nessa altura se aproximava o tempo da separação entre eles. Tanta coisa que a menina observava ouvindo deliciada, sempre.
E, assim nasceu e se desenvolveu uma grande amizade, entre a menina e o lagarto que tanto sabia, devido a já ter assistido à passagem de muitas estações do ano.
Quando chegava o Inverno era o tempo da espera e da saudade.
As estações foram-se sucedendo, até que chegou a altura da menina ir para a escola.
Lá foi feliz, podendo assim mitigar um pouco aquela saudade, e impressão de que o Inverno não acabava nunca.
Gostava muito da escola e de aprender coisas novas. Do mundo que se abria aos seus olhos.
O tempo corria mais depressa.
Chegada a Primavera, com o Sol a raiar, os passarinhos a cantar, as árvores a rebentarem, quando toda a natureza despertava, saindo daquela longa letargia, lá corria a menina para visitar o seu amigo e contar-lhe novidades da escola, dos amigos novos que tinha entretanto feito, das suas interrogações, dos seus anseios, das suas dúvidas, das suas angústias, e ali ficavam os dois esquecidos do tempo que à sua volta existia. Tempo que para eles era outro, de uma outra dimensão.
E assim se foram passando mais e mais estações, mais e mais invernos. A menina tornou-se mulher, trilhou caminhos diferentes, mas nunca se esqueceu do amigo, ali voltando todos os verões e tendo sempre a alegria do reencontro.
Até que um dia...
Os homens cortaram a árvore e a menina, agora mulher, chorou.
Então ouviu uma vozinha que ela conhecia muito bem e que lhe perguntou:
─ Porque choras, amiga?
Ela levantou a cabeça e apressou-se logo a secar as lágrimas ao ver o seu amigo são e salvo. Um sorriso iluminou todo o seu rosto.
Uma imensa alegria do tamanho do mar que liga oceanos brotou do seu peito. Abraçou o amigo e assim ficaram saboreando o prazer das amizades verdadeiras...
foto: gentilmente composta por mão amiga
Nota: Este conto participa na 6.ª edição do Canto de Contos.
Os participantes podem ser encontrados no blog da Beatriz