14/06/07

expressões...


Dormi serena ao saber que em mim habitas... Sê também a minha morada!
foto do Google

10/06/07

sorriso


Deixo o meu sorriso abrigado num raio deste sol que desponta
acordando os passarinhos que cantam
como se também eles
se quisessem unir numa ode à nossa amizade...
foto de mão amiga

02/06/07

A árvore


Perdia-se na história dos tempos a idade da árvore, mas ali continuava assistindo ao aparecimento da carqueja e do tojo, olhando da sua altura, as flores de um amarelo intenso, misturadas com o rosa velho da urze. Aspirava deleitada aquele doce aroma que se espalhava ao redor saturando o ar de abelhas que zuniam recolhendo aqueles néctares.
Estava velha pensava, carcomido o seu interior, mas dando abrigo a um belo lagarto que outrora já fora verde mesclado de pequenos pontinhos amarelos e azuis, como se todo o corpo fosse coberto de esmeraldas e outras pedras preciosas.
Tinha assistido a muitas Primaveras, Verões e Outonos. Os Invernos passava-os bem aconchegado no fundo da sua toca, usufruindo do aconchego do tronco carcomido, onde tinha feito a sua casa.
Hoje o tom das pedras preciosas do seu corpo, tinha dado lugar a outro meio acastanhado.
Talvez por viver tantos anos na árvore, se tenha adaptado mais à cor desta, pensava a menina.
A contrastar com a idosa árvore e seu habitante, a menina era de tenra idade.
Um dia, passara descuidada saltitante pela mão da mãe, junto à árvore, e deu-se conta tanto da beleza e raridade visual desta, como do seu habitante. Ficou curiosa e voltou, agora sozinha, ao local.
Apesar da sua pouca idade, vivia num tempo em que as crianças não eram cobiçadas, roubadas nem agredidas por alguém exterior à família. (As agressões nesses anos vinham do próprio seio familiar). Podia, por isso, vir sempre que quisesse visitar a árvore e o seu habitante, de quem se foi tornando muito amiga.
Vinha nas manhãs de sol e ali se deixava ficar olhando o seu amigo lagarto, a velha árvore, o manto de flores multicolores com que o pinhal se vestia todas as primaveras, as videiras a rebentarem em viçosas folhas verdes clarinhas que se iam tornando mais escuras, até aparecerem aquelas sementinhas, muitas, muitas (a menina na altura achava que eram sementinhas) e que sabia se iriam transformar em belos e saborosos bagos de uva, que ela tanto gostava de provar.
A menina sabia, pois que acompanhava toda esta transformação, enquanto observava o seu amigo lagarto ao sol e iam falando os dois.
O lagarto contou-lhe dos outros meninos e meninas que por ali passavam e que lhe queriam fazer mal. Dos adultos que queriam cortar a sua árvore. De outras Primaveras em que o Sol tinha sido menos pródigo, recusando-se a brilhar, o que para ele era sempre motivo de não sair. Dos grandes estios que secavam as flores como se de um forno se tratasse. Da construção do lavadouro da aldeia, perto da sua toca, o que lhe valeu grandes sustos. A distinguir a flor do tojo, da carqueja e da urze. A saber que os medronhos não se podem comer em grande quantidade porque embebedam. Que o rio se transforma num pequeno regato no Verão. Que aquele castanheiro vizinho, iria dar uns frutos maravilhosos que se chamavam castanhas. Que quando os frutos estivessem bons para comer, cairiam do ouriço e nessa altura se aproximava o tempo da separação entre eles. Tanta coisa que a menina observava ouvindo deliciada, sempre.
E, assim nasceu e se desenvolveu uma grande amizade, entre a menina e o lagarto que tanto sabia, devido a já ter assistido à passagem de muitas estações do ano.
Quando chegava o Inverno era o tempo da espera e da saudade.
As estações foram-se sucedendo, até que chegou a altura da menina ir para a escola.
Lá foi feliz, podendo assim mitigar um pouco aquela saudade, e impressão de que o Inverno não acabava nunca.
Gostava muito da escola e de aprender coisas novas. Do mundo que se abria aos seus olhos.
O tempo corria mais depressa.
Chegada a Primavera, com o Sol a raiar, os passarinhos a cantar, as árvores a rebentarem, quando toda a natureza despertava, saindo daquela longa letargia, lá corria a menina para visitar o seu amigo e contar-lhe novidades da escola, dos amigos novos que tinha entretanto feito, das suas interrogações, dos seus anseios, das suas dúvidas, das suas angústias, e ali ficavam os dois esquecidos do tempo que à sua volta existia. Tempo que para eles era outro, de uma outra dimensão.
E assim se foram passando mais e mais estações, mais e mais invernos. A menina tornou-se mulher, trilhou caminhos diferentes, mas nunca se esqueceu do amigo, ali voltando todos os verões e tendo sempre a alegria do reencontro.
Até que um dia...
Os homens cortaram a árvore e a menina, agora mulher, chorou.
Então ouviu uma vozinha que ela conhecia muito bem e que lhe perguntou:
─ Porque choras, amiga?
Ela levantou a cabeça e apressou-se logo a secar as lágrimas ao ver o seu amigo são e salvo. Um sorriso iluminou todo o seu rosto.
Uma imensa alegria do tamanho do mar que liga oceanos brotou do seu peito. Abraçou o amigo e assim ficaram saboreando o prazer das amizades verdadeiras...
foto: gentilmente composta por mão amiga
Nota: Este conto participa na 6.ª edição do Canto de Contos.
Os participantes podem ser encontrados no blog da Beatriz

26/05/07

lágrima



As lágrimas são a água que a vida nos deu para lavarmos a alma e...
renascer.

foto de olhares.com

24/05/07

gostar


gosto quando sorris,
gosto quando falas,
e gosto, mesmo quando te calas.
foto de mão amiga

21/05/07

serenidade...


Deixa que meus braços sejam a almofada onde repousas a cabeça....
foto: olhares.com

15/05/07

liberdade...2


Apetecia-me ser andorinha e voar até ti, em teu ombro pousar
e fazer o ninho no meu beiral?
Sim
para contigo, para sempre ficar
para darmos as mãos e voar
correr, saltar
como as crianças...
livres como os pardais que fazem ninhos nos beirais
percorrer os morangos, as alfaces e os nabais
rir
perguntar
interrogar
pensar
e partir
partir à descoberta
da vida
aprender, mostrar, dizer
dizer a todas as crianças
que podemos ser
ser felizes, diferentes, livres
para crescer
construir um mundo melhor
diferente
onde todos sejam livres como os pardais
e voarem
com as andorinhas...
então anda, vamos
vamos descobrir
dá-me a tua mão!
foto de mão amiga

08/05/07

partidas...


Partiste com a maré sem avisares
e eu
Olhando o mar
Ali fiquei, esperando...
foto de mão amiga

06/05/07

Presidência Rotativa Europeia


É a bola que rebola seguindo a trajectória,
mas é o cérebro que comanda a mão que a arremessa.
O público apenas assiste...
Mudemos as regras do jogo.
tornemos o público parte activa!
imagem de Kaos

01/05/07

águas paradas...


Subjugada ao peso dos seus oitenta anos e ao saco que carregava na cabeça, descansava nos degraus do centro de convívio, por onde também a minha rota passava.
─ Bom dia, senhora C.
─ Bom dia menina, estás boa?
─ Sim, obrigada! E a senhora?
─ Ah menina, não fora estes joelhos... estes joelhos é que me matam. Atraiçoam-me e não querem andar. Tenho este pauzinho ao qual me seguro, mas deixo-o ali escondido para não ir para o centro com ele que as pessoas fazem pouco de mim.
─ E porque haveriam de fazer? Afinal é uma coisa que pode chegar a qualquer um!
─ Ai menina que se vê mesmo que és uma pessoa diferente. As pessaos fazem pouco de quem já é pouco e velho... quem me dera a juventude. Antigamente é que era bom. Já não há juventude como antigamente... agora as mulheres deixam os homens, a juventude anda por aí, não quer trabalhar... é só vergonhas...acho que faz cá falta é um Salazar.
─ A senhora acha mesmo isso? Já pensou um bocadinho? Outro Salazar para quê? Para o povo passar fome e miséria, embora dissessem que os cofres do Estado estavam cheios de ouro? E a juventude? A senhora já pensou bem? A juventude não ia para a escola, as raparigas já estavam fadadas a ficar em casa a trabalhar. Apenas os rapazes tinham direito a ir à escola, os que iam. E as mulheres quando se casavam que passavam a ser criadas dos maridos. Algumas apanhavam e tinham que estar sempre de boa disposição para qaundo lhes apetecesse exercer as obrigações de marido. E elas nem se podiam queixar. A elas era imposta a obrigação de tratar da casa, do marido, dos filhos, sem terem ordenado e ainda lhes diziam que não faziam nada, o homem é que trabalhava?!
─ Ai pois era menina, tens razão. Eu levei tanta porrada do meu marido! Ele era tão ambicioso, tudo o que ganhava era para comprar terras e pinhais e nunca deu um tostão para criar os 5 filhos que tive dele. E eu nem podia abrir a boca. Ia longe vender coisas que semeava, carregava à cabeça e lá ia eu, para ganhar uns tostões para dar comida aos meus filhos. Ai tanta porrada que eu levei...Naquele tempo não havia dinheiro. Era uma miséria...
─ Então, e a senhora queria voltar a esse tempo? Sabe, é que aqueles tempos só eram bons para a senhora agora lembrar, porque a senhora era jovem. Tinha a sua juventude.
─ Tens razão menina, afinal nunca tinha pensado nisso assim.
Eu sorri, ela levantou-se seguindo ambas as suas vidas...Durante o resto do dia as suas palavras ecoavam-me na cabeça. Como é possível que as pessoas não reflitam nas coisas?!

29/04/07

ciclos...


Apenas damos valor aos outros
quando atingimos
um estádio de desenvolvimento humano
que nos permite entender o outro como a nós...
Nessa altura
o mundo será diferente
e
nós seremos puros
como quando nascemos...
foto recebida por e-mail desconheço autor

20/04/07

voar...


ver o azul
a sorte do nosso azul
sem que nos importe o norte ou o sul...
a minha direcção és tu
a minha rosa dos ventos está nos teus cabelos
e nela estão os tempos e os momentos
e os acontecimentos...
vou por aí
voar
ao encontro de ti
e do nosso mar...
mas
aqui voltarei de novo
para me/vos encontrar
foto da net
Entretanto saibam que vai acontecer:
Alma Gémea de Carlos Martins
Uma história de amor eterno de duas almas gémeas que se reencontram
«Alma Gémea» relata o encontro de duas almas gémeas que se encontram e se reencontram, porque o nosso corpo funciona meramente como um veículo para nós, enquanto cá estamos.
A nossa alma e o nosso espírito é que duram para sempre.
dia 24 de Abril, pelas 18 horas, na Escola Superior de Leira
na sala do Conselho Científico, a apresentação do livro que será feita pelo Professor Eduardo Fonseca
Entrada Livre

08/04/07

mutações...


Caminhamos pela Primavera onde desabrocham os sorrisos
rumo ao melhor de cada um...
firmes a caminho de um nós, feito verdade
da vida
aceitando-nos
com nossos erros e virtudes
aceitando-nos
frágeis ou fortes
subindo cada patamar
até ao alto da montanha
que é a vida
passo a passo
e de lá,
ver mais claramente o horizonte
procurando evitar o Outono que virá
e consigo levará as pétalas
que vão murchando
apesar
de ver
na natureza
um constante renovar...
foto de mão amiga

22/03/07

o teu sorriso


gosto do teu sorriso aberto
que tudo diz
quando não falamos sorrimos
eu sorrio também para ti
e assim ficamos enlaçados neste sorriso
encantados
como o passarinho pela serpente...
neste aconchego meigo e tranquilo
num minuto que é eternamente...
não vás embora assim
fica apenas mais um bocadinho
pertinho de mim
fala-me dos teus segredos
dos teus sonhos
e eu te falarei dos meus
e assim
falando baixinho, quase em murmúrio
seremos unos
beijaremos as estrelas
e sonharemos…
para sempre.